Daniel Maia
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Daniel Maia é professor doutor de Direito Penal da Universidade Federal do Ceará (UFC), sendo também advogado criminalista e colunista semanal do O POVO

opinião
Opinião

Com a benção papa

Na última semana o papa Francisco declarou não ter nada contra a união de casais homossexuais, promovendo, com a sua costumeira sabedoria e humanidade, a primazia do amor, independentemente de quem se ame.
A declaração do pontífice, por mais que vá de encontro há séculos de preconceito e perseguições católicas aos homossexuais, não surpreendeu, uma vez que seu papado vem sendo marcado pelo liberalismo, compreensão e amorosidade com o próximo.
Francisco, demonstra coerência com sua história e coragem para enfrentar temas que incomodam a própria cúpula da Igreja Católica, tais como os escândalos de pedofilia envolvendo alguns de seus membros, corrupção no Banco do Vaticano e a questão agora levantada, ou seja, a união homossexual.
Talvez se tivéssemos uma Igreja Católica mais tolerante e com mais exemplos como o de Francisco, bem como outros líderes religiosos de outras religiões também se preocupando em promover o amor, a fraternidade e a união entre todos, o mundo estivesse um pouco melhor.
De todo modo, antes tarde do que nunca. E devemos elogiar o avanço na posição católica sobre o assunto.
No contexto a legalidade, os ordenamentos jurídicos da maioria dos países ocidentais, já vinham há algum tempo reconhecendo o direito à formalização da união estável entre homossexuais – que é diferente do instituto do casamento -, como faceta da própria dignidade da pessoa humana, característica que nos identifica como iguais e detentores dos mesmos direitos.
Agora, com a declaração do papa Francisco o assunto parece mais perto de estar pacificado.
Entretanto, também cabe a cada um de nós cuidar para que o preconceito que ainda assola as mais diversas classes sociais brasileiras seja, na prática, exterminado e para isso é necessário que o Estado promova políticas públicas de conscientização de qualquer tipo de preconceito é repugnante e não deve fazer parte de uma sociedade que pretende evoluir.
Ao papa Francisco, parabéns pelo gesto! Mais um ato dele de tolerância, coragem, humanidade e de amor ao próximo.

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