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O quadro preocupante dos açudes no Ceará
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O quadro preocupante dos açudes no Ceará

O mês de janeiro caminha para o fim neste ano de 2026 e, até agora, confirma-se a previsão de que seria um mês irregular de chuvas, com má distribuição e tendência a ficar abaixo da média histórica
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Dos 144 açudes hoje existentes no Ceará, pelo menos 75 apresentam apenas a metade (ou menos disso) de sua capacidade ocupada. O dado é oficial e foi extraído do portal hidrológico, alimentado por informações atualizadas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o que já deve começar a preocupar diante de uma realidade, no mês de janeiro, de chuvas abaixo das expectativas. E, claro, das necessidades.

A Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), responsável pelo monitoramento dos reservatórios, anuncia que o ano começa com cerca de 39,9% da capacidade hídrica atual, o que configura um cenário de estabilidade. Ou seja, não haveria razões para temer crises de abastecimento, por exemplo, no curso prazo, mas a má distribuição de chuvas ou a redução no volume observado nos principais açudes pode determinar fatores preocupantes em relação ao futuro.

Para dar uma ideia do quanto o quadro é crítico o Castanhão, maior açude da América Latina, com capacidade para armazenar 6,7 bilhões de metros cúbicos de água, perdeu volume no final de 2026 e iniciou o novo ano com apenas 36% de ocupação. Os técnicos da Cogerh apontam como preocupantes, na linha do acompanhamento, as Bacias do Banabuiú, Sertões de Crateús e Ibiapaba. O fato é que nenhum açude cearense está sangrando, atualmente, e apenas Caldeirões, em Saboeiro, na bacia hidrológica do Alto Jaguaribe, apresenta um quadro realmente animador com ocupação de 90% de sua capacidade.

O cenário pode até ser pior do que o retratado acima, considerando que, pelo mesmos dados colhidos e atualizados pela Funceme, de cada 10 açudes três estão com apenas 30% da capacidade, situação que apresentam 43 dos 144 que formam o sistema. Um quadro ruim no geral e, como agravante, que não permite maior otimismo quando se busca olhar para mais adiante.

Janeiro caminha para o fim neste 2026 e, até agora, confirma-se a previsão de que seria um mês irregular de chuvas, com má distribuição e tendência a ficar abaixo da média histórica. Na verdade, o que amplia a preocupação e já exige das autoridades que estabeleçam planos para lidar com uma situação desafiadora, há uma projeção de que o acumulado na quadra chuvosa, que se estende até maio, feche 40% abaixo do volume médio.

Configura-se, diante de tudo que está dito, um quadro de muita dificuldade e cabe ao governo estadual, desde agora, liderar um processo em articulação com a União, prefeituras e as forças sociais envolvidas e interessadas para que os efeitos danosos sejam mitigados. O ano eleitoral não pode ser usado como justificativa para ausência de um plano que racionalize o uso da água disponível e o direcione para atividades essenciais da população. É uma tarefa para ontem.

 

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