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O jornalista Eliomar de Lima escreve sobre política, economia e assuntos cotidianos na coluna e no Blog que levam seu nome. Responsável por flashes diários na rádio O POVO/CBN e na CBN Cariri.

Artigo - Bolsonaro defende a Constituição em todos os seus artigos

"Quem votou pela aprovação da LDO foi acusado de garantir o fundo. Quem priorizou o fundo, votou contra a LDO", aponta em artigo o jornalista Luciano Cléver
Tipo Opinião
Luciano Cléver é jornalista (Foto: REPRODUÇÃO)
Foto: REPRODUÇÃO Luciano Cléver é jornalista

Logo que saiu do hospital, no domingo (18), Bolsonaro deu uma coletiva em que falou muito sobre diversos assuntos. Até parece que um dos medicamentos ministrados durante sua internação foi um chá de chocalho. Deu uma geral em todos os assuntos que vem tomando de conta do noticiário político.

Sobre o aumento do fundo eleitoral, que foi triplicado, disse que era uma casca de banana e apontou o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, como o autor de tal “jabuticaba”. Ao criticar a iniciativa, disse que vai dar “um bom final para isso tudo aí”. A nova configuração do fundo, que passa a ser um percentual (25%) do orçamento do TSE foi colocada junto com a LDO, que precisava ser votada para que não travasse toda a pauta do Congresso.

O Partido Novo chegou a apresentar um destaque, sem sucesso. E a votação foi simbólica. Quem votou pela aprovação da LDO foi acusado de garantir o fundo. Quem priorizou o fundo, votou contra a LDO.

Complicado. Só dá para dizer mesmo quem foi a favor ou contra na votação do Senado, cujo escrutínio foi nominal. Lá, pode-se dizer que Cid Gomes (PDT) votou a favor do fundão, ao contrário dos outros dois senadores cearenses: Tasso Jereissati (PSDB) e Eduardo Girão (Pode).

Virou um dilema para Bolsonaro. Se segue sua consciência, fica bem com seus seguidores, mas pode trazer complicação política. Só em criticar Marcelo Ramos, já tem uma arremedo de revanchismo. O parlamentar já anunciou que pediu cópia dos pedidos de impeachment. Ele é o primeiro vice-presidente. Na ausência do titular, ele pode executar a vendeta.

Bolsonaristas foram acusados de aprovar a casca de banana. Mas não teria lógica no embate eleitoral. Como o presidente deve disputar a reeleição por um partido pequeno, nenhum deles seria beneficiado. Ao contrário, o maior beneficiário é o PT. Isto é, além de não tirar proveito ainda daria forte munição aos seus adversários.

Enquanto Bolsonaro esteve internado, uma manobra parlamentar quase enterra de vez o voto auditável. O presidente soltou os cachorros em cima de Barroso, sem nominá-lo, acusando-o de ativismo judiciário. Depois de uma articulação do ministro com líderes de partido, alguns parlamentares foram trocados na Comissão do Voto Impresso, para desaprová-lo logo ali. Chegaram a convocar uma sessão extraordinária. Mas houve um contragolpe, que adiou a decisão para depois do recesso.

Bolsonaro disse que a Constituição o proíbe de se imiscuir no Congresso, coisa que o STF não está respeitando. Afirmou defender todos os artigos da Constituição, e não apenas alguns. Chamou atenção para o artigo quinto, que não pode ser modificado nem por emenda parlamentar, pois cláusula pétrea. Mesmo assim, foi desrespeitado nos toques de recolher decretados por gestores locais.

Ainda lembrou que tem gente presa por crime de opinião (deputado Daniel Silveira) e que muita gente foi investigada por levantar faixa com o artigo 142 (intervenção militar). A liberdade de expressão também foi mitigada pelo próprio STF. Cada um tem a sua constituição, de acordo com suas interpretações. Ele disse que era a favor do artigo primeiro, do quinto e também do 142.

Luciano Cléver é jornalista

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