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O jornalista Eliomar de Lima escreve sobre política, economia e assuntos cotidianos na coluna e no Blog que levam seu nome. Responsável por flashes diários na rádio O POVO/CBN e na CBN Cariri.

Artigo - "Vai dar certo"

Com o tútlo "Vai dar certo", eis artigo de Antonio Mourão Cavalcante, médico, antropólogo e professor universitário. Ele aborda a possível polarização da disputa presidencial em 2022. Confira:
Tipo Opinião
Antonio Mourão Cavalcante, médico, antropólogo e professor universitário (Foto: Paulo MOska - Blogdoeliomar)
Foto: Paulo MOska - Blogdoeliomar Antonio Mourão Cavalcante, médico, antropólogo e professor universitário

Estamos nos aproximando, com velocidade, do ano 2022. Nele, teremos eleições gerais. A presidência vai ser colocada em jogo. O que parece mais evidente é a polarização. Dois candidatos despontam com mais força e sucesso. Bolsonaro e Lula. Fala-se que seriam dois extremos. Um aceitava e até achava bonito: uma nova liderança no mundo, construindo uma ideologia de extrema-direita. Lembremo-nos que ele citava, com muito orgulho, o Coronel Ustra, o rei da tortura no regime militar, como seu grande inspirador. Tudo nele cheirava a uma direita muito radical, sem qualquer concessão. Oposto dessa visão, eis que ressurge Lula do PT. Por mais que se queira caracterizar Lula como extrema esquerda, os fatos ajuntados de sua biografia, não correspondem a estas assertivas de radicalidade. Lula sempre encarou uma postura de conciliador, negociando com todos os espectros e filiações partidárias. Os governos do PT sempre foram de coalização, pouco importando quem estava no acordo. Lula mudou? O PT está ensaiando outro caminho? Todos os analistas são convergentes em afirmar que – nos bastidores – os cochichos e os conchavos avançam, como no passado...

O espaço entre os dois candidatos, poderia se prestar a uma terceira via, já decantada em verso e prosa. Concretamente existe um eleitor ansioso, que repete: nem Lula, nem Bolsonaro! Forças políticas, ditas de Centro, sabem da existência desse espaço. Desejam explorá-lo, mas não conseguem emplacar um nome que sensibilize esse eleitorado. Os até agora apresentados – Ciro, Dória, Moro, Mandetta, etc – objetivamente não empolgam. Não convencem.

Mas, em política não existem vazios. Lula e Bolsonaro sabem que o eleitorado fiel não é capaz de decidir a eleição. Daí o esforço nos acordos. A novidade é que Bolsonaro compreendeu – há poucos dias, pós 7 de setembro – que seu discurso radical afugenta o eleitorado de centro e os homens da grana. Estes, começam a se apavorar com as decisões e consequências do governo atual. Sobretudo na economia. E isso custa sérios dividendos.

Bolsonaro é um animal político. Já percebeu e gradativamente ensaia os primeiros passos do Jairzinho, paz e amor! Agora ele aceita críticas, xingamentos, sem vociferar. Poupa os desaforos. Quer se encaixar na imagem que a terceira via anda procurando. E, no momento exato, vai proclamar: eu sou o único candidato que pode derrotar o Lula. Ou vocês me apoiam ou serão derrotados!..
Cabe a pergunta: vai dar certo?

*Antonio Mourão Cavalcante,

Médico, antropólogo e professor universitário.

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