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O jornalista Eliomar de Lima escreve sobre política, economia e assuntos cotidianos na coluna e no Blog que levam seu nome. Responsável por flashes diários na rádio O POVO/CBN e na CBN Cariri.

Artigo - A eleição de 2022 será decidida em 3º turno?

A classe dominante brasileira e internacional não deu um golpe em 2016 e 2018 para permitir o retorno de um governo nacionalista e popular, como o de Lula
Tipo Opinião
Rodolfo Fiorucci é Doutor em História (Foto: REPRODUÇÃO)
Foto: REPRODUÇÃO Rodolfo Fiorucci é Doutor em História

A classe dominante brasileira e internacional não deu um golpe em 2016 e 2018 para permitir o retorno de um governo nacionalista e popular.

Não li ainda em nenhum meio de comunicação a análise de uma possibilidade real. A de que a eleição seja decidida em 3º turno. Dadas as condicionantes políticas, sociais e econômicas no Brasil (que provavelmente não mudarão em 2022) dificilmente Bolsonaro se reelege e, pelo que se observa até agora, a terceira via é natimorta.

Há algumas possibilidades de execução desse golpe dentro do golpe e todas elas apontam para a vitória das classes dominantes (especialmente as internacionais) que pretendem roer até o osso dos recursos nacionais antes de abandonar esse barco e partir para explorar outra nação de terceiro mundo.

Os donos do dinheiro vão tentar cassar qualquer uma das chapas vencedoras: Lula ou Bolsonaro. E o provável caminho será a punição de Fake News. A advertência do TSE sobre a questão cumpre o mesmo papel que a Lei Antiterrorismo e a Proibição de Candidatura para condenados em 2ª instância. À primeira vista essas leis parecem algo eticamente correto, mas são subterfúgios jurídicos que a política golpista de direita aproveita para exercer sua vontade, à revelia da Constituição.

Se Lula ganhar, vão encontrar um meio de punir a chapa “encontrando” Fake News na campanha do campo progressista, e a justificativa será: “nós avisamos que nessa eleição isso não seria permitido". A Grande Mídia fará seu papel rasteiro de ecoar essa farsa por todo canto e convencer o cidadão de que isso é certo. Resta saber se farão isso logo no início ou depois de 2 anos de governo, afinal, como já comemorou o banqueiro André Esteves, o Banco Central terá um presidente subalterno ao mercado financeiro nos primeiros dois anos do governo Lula, e com autonomia.

Sendo assim, a elite do dinheiro precisará decidir o que é mais vantajoso para ela: novas eleições ou o Congresso escolher um presidente após 2 anos de mandato.

No caso de improvável vitória de Bolsonaro, esses donos do dinheiro apoiados pelo seu departamento de marketing oficial (a grande imprensa brasileira) serão, provavelmente, mais cautelosos. Esperarão para avaliar se o néscio presidente vai se enquadrar finalmente às vontades do capital e da “etiqueta” internacional (cujo candidato amado é Sérgio Moro, o juiz corrupto e ligado a interesses dos EUA).

No caso de Bolsonaro, será fácil torná-lo fantoche ou chutá-lo, pois obviamente sua campanha se valerá de uma máquina gigantesca de Fake News. Isso é mais claro que a destruição que Sergio Moro causou na economia do país. Bolsonaro não se move e não consegue sequer iniciar uma campanha sem o uso intenso de máquinas de mentiras.

Frente a esses cenários, o 3º turno não é improvável, especialmente se o resultado não agradar a elite do dinheiro. Se isso acontecer, parece que a opção mais eficiente para os endinheirados é cassar a chapa no terceiro ano de mandato e escolher a dedo, via Congresso, o seu próprio candidato, sem o penduricalho inoportuno de uma eleição democrática.

Por isso, mais que vencer as eleições majoritárias para presidente, o viés de virada no Brasil depende da eleição de grande número de deputados e senadores do campo progressista, pois é dentro do Congresso Nacional que as barbáries ocorrem ou são travadas. A única esperança do povo brasileiro é eleger uma grande bancada progressista em 2022, pois sem isso Lula não terá governabilidade para executar mudanças reais e qualitativas. E o Brasil estará lascado.

Rodolfo Fiorucci é Doutor em História pela UFG e professor no Instituto Federal do Paraná

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