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Proibição da exportação de animais vivos é urgente
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Eliziane Alencar é publicitária e diretora da Advance Comunicação

Eliziane Alencar ciência e saúde

Proibição da exportação de animais vivos é urgente

Exportação de animais vivos por mar é extremamente problemática
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INVESTIGAÇÃO expõe exportação de 26 mil bois vivos (Foto: MFA Brasil)
Foto: MFA Brasil INVESTIGAÇÃO expõe exportação de 26 mil bois vivos

Em 5 de janeiro deste ano, nova investigação da Mercy For Animals - MFA, organização global dedicada à defesa dos animais explorados para consumo, registrou no Porto de Rio Grande-RS, o embarque de 26 mil bois vivos no maior navio transportador de animais vivos do mundo, o navio NADA, para abate na Turquia.

Segundo Luiza Schneider, vice-presidente global de investigações da MFA: “A exportação de animais vivos por mar é extremamente problemática. Não só pelo sofrimento animal, mas também do ponto de vista do meio ambiente, da economia e da saúde pública".

Além dos problemas sanitários, a atividade impõe riscos de desastres socioambientais e transtornos diretos à vida dos moradores das cidades portuárias. Em 2024, a Cidade do Cabo, na África do Sul, foi impregnada com o odor de urina e fezes de 19 mil bois vindos do Brasil. As exportações do Porto de São Sebastião-SP prejudicam o turismo e o trânsito da cidade pelo mau cheiro e fluxo de caminhões. Além de uma viagem de péssimas condições sanitárias, há riscos de tragédias, como o naufrágio do navio Haidar em 2015, em Barcarena-PA, que matou quase 5 mil bois afogados e causou um dos piores desastres ambientais do estado.

 Lentidão da justiça x pressa dos animais

Em fevereiro de 2018, o navio NADA atracou no Porto de Santos-SP para embarcar mais de 25 mil bois. Laudos técnicos atestaram intensa poluição atmosférica e odor excessivo na área urbana. Vistorias a bordo identificaram alta densidade de lotação, com média de um boi por m2. O episódio resultou em multa de R$ 2 milhões por infração ambiental e maus-tratos contra animais, contra a empresa Minerva, responsável pela carga. O caso fundamentou uma Ação Civil Pública que tramita na justiça pedindo a suspensão da atividade em território nacional.

O Brasil precisa deixar de ser vergonha mundial

Em 2024, o Brasil se tornou o maior exportador de bovinos vivos por via marítima do mundo e em 2025 bateu o próprio recorde, com mais de 1 milhão de animais exportados, segundo dados da COMEX STAT. Países como Nova Zelândia, Índia, Reino Unido e Austrália já adotaram leis que proíbem ou determinam a eliminação gradual da exportação de animais vivos por mar. No Brasil, dois projetos de lei que visam desestimular a atividade por meio de uma tributação mais alinhada aos riscos que envolve conquistaram avanços no Congresso Nacional: PLP 23/2024 e PL 786/2024.

Justiça para o Orelha. Justiça para todos os animais

 

O Brasil está em choque com o caso do cãozinho comunitário “Orelha", que foi covardemente torturado e teve que sofrer eutanásia devido o seu estado grave e de muito sofrimento. Mas, porque não há comoção semelhante aos animais explorados em situação de fazenda, que são mortos e esquartejados aos milhões diariamente? E se a exportação de bovinos vivos fosse de cães vivos para abate em países que consomem carne de cães? Precisamos expandir nossa compaixão. Justiça para o “Orelha” e para todos os animais.

Foto do Eliziane Alencar

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