Érico Firmo
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

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Opinião

CPI da Covid passará pelo Ceará

Tasso Jereissati e Luis Eduardo Girão estarão na CPI e provavelmente em posições antagônicas
 Girão foi autor do requerimento que ampliou a abrangência da CPI, como queria Bolsonaro
 Girão foi autor do requerimento que ampliou a abrangência da CPI, como queria Bolsonaro

Dois cearenses estão na CPI da Covid, em lados opostos. Tasso Jereissati (PSDB) tem se tornado um dos mais duros opositores de Jair Bolsonaro. Não que ele seja um dos "arrependidos". Em 2018, quando muitos empresários aderiam ao hoje presidente, Tasso vetava Capitão Wagner (Pros) como candidato as governador caso apoiasse Bolsonaro — o que acabou ocorrendo. Não era que ele exigisse apoio ao candidato do PSDB. Não aceitava era Bolsonaro. Mais recentemente, Tasso disse: "É preciso parar esse cara". O cara é o presidente. Outro dia o tucano admitia possibilidade de impeachment. Tasso é uma voz de peso na oposição a Bolsonaro, porque vem do empresariado, não pode ser taxado de comunista, forma preferida de bolsonaristas reagirem a críticas às quais não têm resposta, ou seja, quase todas. Embora muita gente que votou em Tasso por seguidas eleições hoje diga que o PSDB é comunista, convenhamos, não cola.

 

Luis Eduardo Girão (Podemos) nega ser aliado de Bolsonaro. Discorda do presidente em pelo menos uma pauta central para ele, que é a liberação de armas de fogo. Mas, naquilo que o presidente precisa de voto ele costuma estar a favor. Na eleição de 2018, Girão declarou apoio a Bolsonaro no sábado, véspera da eleição, quase na boca de urna. Ele é muito crítico das pesquisas e cita o próprio caso como exemplo. Os institutos apontavam que ele perderia para Eunício Oliveira (MDB) e acabou vencendo. Mas, ele deixa de citar que, entre as últimas pesquisas e a eleição, houve esse pequeno detalhe da adesão a Bolsonaro. Sem ela ele seria hoje senador? Nunca saberemos, mas podemos especular.

Girão deverá ter peso na CPI, pois foi o autor do requerimento que, ao final, teve maior número de assinaturas.

A presença de Girão, sobretudo, deverá trazer atenções da CPI para o Ceará. Nesta semana mesmo, servidores da Secretaria da Saúde de Fortaleza foram afastados por suspeitas, já apontadas de longa data, envolvendo o hospital de campanha do estádio Presidente Vargas. Também há desconfianças relacionadas à compra de respiradores, que teriam superfaturamento. Ocorre o seguinte: em agosto do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) já firmou entendimento de que não houve verba federal envolvida na compra dos respiradores. Isso não elimina que tenha ocorrido irregularidade, mas tira o assunto da esfera da CPI. Não pode ser objeto da investigação.

Girão e seu grupo político têm sido muito críticos dos gastos realizados pela Prefeitura de Fortaleza e pelo Governo do Ceará no combate à pandemia de Covid-19. Haverá pressão para colocar o assunto em pauta.

A posição de Girão

O senador do Podemos tem dito e repetido que é independente em relação a Bolsonaro e a postura na CPI será o maior teste nesse sentido. Ele foi a linha de frente para realizar aquilo que o presidente pediu ao senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO): ampliar a investigação para prefeitos e governadores. Sem dúvida há muito o que questionar sobre eles. Tanta coisa que acho que se torna demais para uma CPI só. Porém, há igualmente muitos atos de Bolsonaro que merecem ser objeto do inquérito. O crime pode ir além da corrupção.

Os membros da CPI

Bolsonaro terá alguns senadores a irritá-lo bastante. Como Humberto Costa (PT-PE), Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), com quem ameaçou sair na porrada. Na linha de defesa do presidente são apontados Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcos Rogério (DEM-RO). Cogita-se que Girão esteja junto deles.

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