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Elmano fala para distensionar Legislativo
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

Elmano fala para distensionar Legislativo

O Legislativo tende a ser mais proveitoso para a oposição que para o governo. Mesmo em minoria, quem está fora do poder tem ali o espaço para fazer ecoar as ideias
Tipo Opinião
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ELMANO discursou no início dos trabalhos legislativos (Foto: Júnior Pio/Assembleia Legislativa do Ceará)
Foto: Júnior Pio/Assembleia Legislativa do Ceará ELMANO discursou no início dos trabalhos legislativos

Ano eleitoral mexe com os humores e a agenda do Poder Legislativo. E, no Brasil, é ano eleitoral ano sim, ano não. Políticos reclamam que jornalista só pensa em eleição. Mas experimenta escutar as conversas entre eles. Com exceção dos chefes de governo — e olhe lá — não falam em outra coisa. Um ano é eleitoral e outro, de articulação para a eleição.

Os legislativos ficam meio esvaziados. Pouca coisa de relevante é pautada e menos ainda de polêmica. Mas as disputas de base acabam chegando ao plenário. O presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri (PSB), já indicou estar preocupado com o assunto. Raramente se consegue evitar.

O discurso do governador Elmano de Freitas (PT), na abertura dos trabalhos na Assembleia, fez alguns acenos à oposição. Manifestou o respeito por, segundo ele, terem “lado” e “coerência”. “Eu aprendi uma coisa na política: a gente respeita quem defende o que acredita e não quem se posiciona por conveniência”.

O Legislativo tende a ser mais proveitoso para a oposição que para o governo. Mesmo em minoria, quem está fora do poder tem ali o espaço para fazer ecoar as ideias. O Executivo faz isso pela própria ação governamental. A postura de Elmano pode ao menos atenuar a tensão. Ao longo de 2025, foi na Assembleia que se expressou a formação do bloco que pretende se contrapor ao governador nas urnas.

Ausência

O lançamento no Cariri da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo) a governador, na sexta-feira, 30, teve como ausência notada o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos). Estava presente o vice-prefeito, Tarso Magno (Progressistas).

Quando o gestor do maior município do interior cearense se elegeu, em 2020, Girão estava no Podemos. Eles têm proximidade, ou tinham. Girão se elegeu em 2018 pelo Pros, mas se filiou ao Podemos assim que tomou posse, em fevereiro de 2019. Ficou no partido por quatro anos, até fevereiro de 2023.

Glêdson tem feito sinalizações ao bloco que articula a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo.
No lançamento da sexta passada, assim como em novembro, havia personagens do PL. A presença era tratada como cortesia, mas, naquela ocasião, converteu-se em hostilidade da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) contra a aproximação da sigla com Ciro.

A ausência do prefeito de Juazeiro do Norte pode sinalizar que, no ano eleitoral, não haverá cortesia com adversários. Ou talvez ele não queira criar confusão entre apoiadores ou interpretações erradas.
Ciro tem presença prevista no Cariri nesta semana.

Maioridade dos adolescentes e menoridade dos idosos

A morte do cachorro Orelha, sacrificado após agressão de grupo de adolescentes em Florianópolis, Santa Catarina, recolocou em pauta o discurso de quem acredita que a violência no Brasil irá diminuir se menores de 18 anos passarem a cumprir pena da mesma forma que criminosos mais velhos.

O debate é complexo e profundo. Por ora, o que me chama atenção é ver a defesa da redução da maioridade penal partir de pessoas que, ao mesmo tempo, acham que idosos, na plenitude da capacidade cognitiva, não devem ficar presos em regime fechado por terem promovido depredação — com motivação política de desestabilizar — contra os poderes da República.

Será que a redução da maioridade penal virá acompanhada de um teto a partir do qual a pessoa fica livre para delinquir sem ter de cumprir pena em regime fechado?

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