Jornalista, divulgador científico e professor da Universidade Federal de Rondonópolis. É doutor em ecologia pela Universidade Autônoma de Madrid, Espanha
Jornalista, divulgador científico e professor da Universidade Federal de Rondonópolis. É doutor em ecologia pela Universidade Autônoma de Madrid, Espanha
Hoje divulgo aos leitores de O POVO um livro muito interessante: "Admirável Mundo Novo – Uma História da Ocupação Humana nas Américas" , cujo autor é Bernardo Esteves. Leitores familiarizados com o trabalho de Esteves, jornalista especializado em ciência e meio ambiente na revista Piauí, talvez suponham que livro é um relato jornalístico sobre como os primeiros humanos chegaram, ocuparam e prosperaram nas Américas.
O título, modesto, também sugere um relato. Bernardo Esteves define seu livro como uma obra de divulgação científica. Mas é mais do isso. Esteves é também um acadêmico, doutor em História das Ciências e Epistemologia, e há método em sua investigação. Ele leu mais de 500 referências bibliográficas, entrevistou dezenas de cientistas e visitou vários sítios arqueológicos.
A primazia de Clovis é a hipótese segundo a qual os primeiros seres humanos a ocuparem as Américas teriam sido os portadores da cultura Clóvis, há cerca de 13.500 anos. O povo de Clovis estava espalhado por todo o território do que hoje são os Estados Unidos há 13.000 anos, e até os anos 80, era consensual o argumento de que o povo de Clovis colonizou as Américas Central e do Sul. Nenhum sítio arqueológico ao sul dos Estados Unidos, teria, portanto, mais do que 13 mil anos. Mas esta hipótese têm algumas falhas.
O autor explica as controvérsias sobre o modelo de Clovis com as lentes de Thomas Kuhn e seu livro "A estrutura das revoluções científicas" . O paradigma do povo de Clovis como o povoador das Américas caducou, e caiu por um conjunto amplo de novas evidências que o modelo não consegue explicar, nem incorporar ao seu arcabouço. Um novo paradigma precisa emergir, para explicar esses resultados anômalos.
Essas novas evidências incluem, explica Esteves, o descobrimento de número crescente de sítios arqueológicos com datas anteriores ao povo de Clovis. Por exemplo, arqueólogos descobriram registros de ocupação humana anterior ao povo de Clovis, no sítio arqueológico de Taima-Taima, na Venezuela, ao escavarem o esqueleto de um mastodonte morto por caçadores, e o datarem em 15 mil anos.
E que paradigma substitui a primazia de Clovis? Como argumenta Bernardo Esteves, “a ocupação inicial do continente americano é uma das grandes questões em aberto da história humana no planeta.” A resposta a pergunta que abre este parágrafo ainda não existe, ou, ao menos, não existe um modelo definitivo que explique a chegada dos primeiros humanos às Américas.
Esteves aponta um único consenso entre os modelos formulados pelos arqueólogos: os primeiros americanos vieram do nordeste da Sibéria, na Ásia, fato corroborado por estudos bioantropológicos, linguísticos, genéticos e arqueológicos. "Admirável Mundo Novo – Uma história da ocupação humana das Américas" cumpre o seu objetivo, de contar a história do povoamento inicial das Américas. Eu recomendo sua leitura.
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