Fernando Costa é sociólogo e publicitário
Fernando Costa é sociólogo e publicitário
Em 1992, James Carville, estrategista da campanha de Bill Clinton para a presidência dos Estados Unidos, cunhou a frase: "É a economia, estupido", dizendo que a principal preocupação e fator determinante para o voto eram as finanças pessoais. Assim, Clinton derrotou Bush, fumou charutos e seduziu estagiárias, além de frequentar as festas de Epstein.
Décadas depois, o estupido a quem Carville se referia respondeu: é a família.
É a família chefiada pelo pai ou pelo pastor que introduz a figura divina no cerne das questões políticas.
Por que um candidato a um cargo político fala constantemente de valores familiares e ignora por completo questões como inflação, déficit habitacional e políticas de segurança pública que não seja "bandido bom é bandido morto"?
Por trás desse comportamento, existe uma tese muito bem construída e disseminada na extrema direita americana. Seu autor é um cristão chamado James Dobson. Seu livro mais famoso chama-se: "Atreva-se a Disciplinar", onde ele ensina as pessoas a utilizar o modelo do "pai rigoroso" para educar seus filhos seguindo o princípio de que o mundo é um lugar perigoso, a maldade existe e sempre haverá vencedores e perdedores. Existe o bem e o mal absoluto.
Os filhos nascem maus e, portanto, devem ser convertidos em boas pessoas. O que se necessita para um mundo assim, na visão de Dobson, é de um pai rigoroso que proteja e defenda a família, ensinando os filhos a distinguir o bem do mal. Quando a missão for cumprida, o pai se afasta e para ele, em termos políticos, isto significa que o estado não deve intervir.
Para Dobson, os programas sociais são imorais por darem às pessoas coisas que não foram conquistadas, porque então elas não desenvolverão disciplina e se tornarão pessoas dependentes e imorais.
Ele afirma que os programas sociais são imorais porque causam dependência. Portanto, promover programas sociais também é imoral.
Mas, contraditoriamente, não acha imoral as subvenções às indústrias e às empresas, nem mesmo aos bancos.
Na próxima eleição, corre sério risco de perder quem vier com propostas de melhoria de qualidade de vida, geração de emprego e renda e redução de índice de inflação e juros. A economia, há algum tempo, saiu de cena para a entrada da moral e a moral deles não é a nossa.
Quando Nietzsche disse que deus estava morto, deus lhe tirou a razão.
Quando Nikolas invocou, em vão, o nome do Senhor, deus lhe enviou um raio.
Deus é tudo, menos piedoso.
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