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A era do consumo em tempo real
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Professora em MBAs de Marketing do IBMEC Business School e da Unifor. Consultora na Gal Kury Marketing & Branding.

Gal Kury opinião

A era do consumo em tempo real

O consumidor já não valoriza a potência do motor, mas o conforto do trajeto; que troca o excesso do brinde pela sobriedade consciente. Quem ainda tenta dirigir olhando para o mapa de papel de ontem, certamente vai chegar ao destino errado
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FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL 04-12-2023: Fotos: Aplicativo de GPS para orientar pessoas cegas dentro do Norte Shopping Fortaleza. (Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo) (Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo)
Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL 04-12-2023: Fotos: Aplicativo de GPS para orientar pessoas cegas dentro do Norte Shopping Fortaleza. (Foto: Yuri Allen/Especial para O Povo)

Houve um tempo em que cruzar fronteiras, geográficas ou de mercado, exigia um Guia Quatro Rodas aberto sobre o painel e uma confiança inabalável no que estava impresso. O trajeto era rígido; se uma rua mudasse de sentido ou um novo viaduto surgisse, o erro era inevitável até a próxima edição. No mundo dos negócios, as marcas operavam da mesma forma: planos estáticos para consumidores previsíveis. Mas o mapa mudou.

Hoje, vivemos a era do "recalculando". Da mesma forma que o GPS reage a um desvio em tempo real, as empresas estão sendo forçadas a ajustar o curso diante de um consumidor que já não valoriza a potência do motor, mas o conforto do trajeto; que troca o excesso do brinde pela sobriedade consciente. Quem ainda tenta dirigir olhando para o mapa de papel de ontem, certamente vai chegar ao destino errado.

Essa mudança de percepção não é sutil; ela é um sismo silencioso na base do consumo. Observe o mercado de bebidas alcoólicas: durante décadas, o sucesso era medido pelo volume e pela celebração do excesso. Hoje, vemos uma geração que prioriza a saúde mental e o "estar presente". O valor migrou do "quanto eu consigo beber" para "como eu quero me sentir amanhã". Marcas tradicionais que não oferecem versões zero álcool ou propostas de bem-estar estão, literalmente, ignorando o alerta do GPS.

O mesmo fenômeno ocorre na indústria automobilística. Se antes o fetiche era a potência bruta, a velocidade, o luxo contemporâneo é silencioso e hiper conectado. O consumidor não quer mais o ronco do motor que impõe presença; ele busca o design que acolhe e a tecnologia que simplifica a vida.

O grande desafio para as empresas é aceitar que o planejamento estratégico não é mais um monumento de pedra. Recalcular a rota não é sinal de indecisão, mas de inteligência contextual. Em um mercado onde o consumidor muda o destino no meio do caminho, a maior vantagem competitiva não é mais saber o caminho de cor, mas ter a agilidade de ajustar o trajeto enquanto o carro ainda está em movimento.

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