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Lula e o incrível caso do "anão diplomático"que conversa com o mundo
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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

Lula e o incrível caso do "anão diplomático"que conversa com o mundo

Bolsonaro e sua política não conseguiram nos transformar em pária, apesar do esforço do governo e pessoal. Lula nunca demonstrou tal intenção, o que faz uma diferença monstruosa no comparativo entre as políticas externas
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TRUMP e Lula em encontro na Malásia em outubro de 2025 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Foto: Ricardo Stuckert / PR TRUMP e Lula em encontro na Malásia em outubro de 2025

Uma das formas que os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro encontram para atacar o sucessor dele, Luiz Inácio Lula da Silva, é estabelecer comparações diretas que, na visão que defendem, apontariam uma ampla superioridade da gestão imediatamente anterior sobre a atual. Fazem isso, por exemplo, no campo da diplomacia internacional.

Lula, dentro da compreensão bolsonarista, numa visão até respaldada por gente que faz análise de cenário sem relação aparente com grupo político - jornalista inclusive -, seria uma voz que não interessa à comunidade internacional ouvir. Um "anão diplomático", conforme termo utilizado com alguma frequência pela oposição e que também tem aparecido em análises dos ditos especialistas.

É uma forma de enxergar o quadro, mas convém colocar a tese diante dos fatos objetivos que conformam a realidade diante de nós. Pega-se os acontecimentos relevantes dos últimos 10 dias e no período há registros de conversas de Lula, aquele que ninguém quer ouvir, com pelo menos 12 líderes globais e não é uma lista qualquer. Nela constam, por exemplo, o chinês Xi Jiping, o russo Vladimir Putin, o indiano Narendra Modi e, para desespero de alguns, o norte-americano Donald Trump.

Trump, com sua agenda concorrida e atribulada, própria de quem dorme e acorda pensando em como dominar o mundo, dedicaria 50 minutos de seu precioso tempo para conversar com um "anão diplomático"? O mesmo dá pra dizer dos outros dirigentes citados anteriormente, todos às voltas com problemas de dimensão global e que, certamente, submetem suas agendas a uma triagem rigorosa. Gente pequena tem dificuldade de furar esse bloqueio, imagina-se.

Lula tem suas qualidades e seus defeitos, não é só uma coisa ou apenas outra. Porém, comparar sua performance como líder global àquela que teve Jair Bolsonaro nos seus quatro anos de presidência, com sinceridade, chega a ser uma covardia. Contra este último.

A ideia de isolar o Brasil era, inclusive, uma parte assumida da política anterior, que teve um dos seus chanceleres, o embaixador Ernesto Araújo, afirmando de público, em discurso para uma turma em formação do Itamaraty, que não lhe incomodava o risco de virarmos um "pária internacional" caso fosse um preço a pagar para tirar o País de uma concertação internacional que, na visão dele, estava marcada por globalismo e corrupção. Naquele momento, situemos, até os Estados Unidos entravam no pacote de ataques porque o presidente era do Partido Democrata, antes desta nova fase Trump.

Bolsonaro e sua política não conseguiram nos transformar em pária, apesar do esforço do governo e pessoal. Lula, de outra parte, nunca pareceu ter tal intenção, o que faz uma diferença monstruosa no comparativo sobre o objetivo de cada um em suas políticas externas. Por tudo isso, talvez seja o caso de reconhecer, olhando uma e outra situação, que não faz muito sentido escolher o petista quando se busca apontar alguém que pareça de tamanho reduzido diante do desafio de lidar com a geopolítica global. Na dúvida, olhemos o que diz sua movimentada agenda do útimos dias.

Foto do Guálter George

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