Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil
Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil
O Ceará foi convidado a disputar o Brasileirão Feminino A2 após a desistência do Avaí Kindermann, que abriu mão da competição por questões financeiras. Antes de qualquer crítica estrutural, é preciso exaltar o Vovô, pois mesmo herdando a vaga, ele a merece, já que apesar do orçamento limitado de Série B, escolheu não abandonar o time feminino. O clube deu, inclusive, um orçamento de R$ 1,2 milhão — um valor considerável dentro da atual realidade da agremiação. Em um cenário onde desistir virou regra, permanecer virou virtude, e isso precisa ser dito.
Apesar das críticas que faço — e continuarei fazendo, já que o papel de um colunista é fiscalizar e cobrar — ao clube em alguns aspectos, há gente competente trabalhando no setor que também merece essa exaltação para, quem sabe, colher resultados melhores do que em 2025. Não por milagre, mas por continuidade, algo que parece se tornar cada vez mais raro no futebol feminino brasileiro.
Isso porque, em 2026, já são dezenas de clubes desistindo de competições femininas, da Série A1 à Série A3. Times que simplesmente somem, desmontam elencos, deixam jogadoras sem calendário, sem salário e sem perspectiva. Como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) soa tão conivente com isso? Como aceita que campeonatos se iniciem tão bagunçados, com convites feitos de última hora, como se fosse tudo isso fosse normal? E como a própria mídia deixa isso passar quase em silêncio?
Se no futebol masculino houvesse essa quantidade de desistências e entra-e-sai de clubes, essa dança das cadeiras permanente — já que isso não começou neste ano, embora o número esse ano pareça ainda mais fora da curva —, estaríamos tratando como um escândalo nacional. Haveria manchetes, debates e pressão como é o papel do jornalismo, ainda que por vezes na corrida dentro de uma redação esqueçamos disso. No feminino, esse vendaval às vésperas anual de uma Copa do Mundo Feminino vira rodapé ou notícia de terceira página — e isso quando vira notícia.
O Ceará merece aplausos por estar de pé. Mas o fato de estar sendo exaltado por simplesmente não desistir é, no fundo, um retrato triste do estágio em que o futebol feminino brasileiro parece se encontrar atualmente no Brasil, o país sede do próximo Mundial da modalidade.
Futebol e as ressonâncias do ser mulher no mundo esportivo. Sem estereótipo. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.