Com formação em desenvolvimento mobile pelo IFCE e pela Apple Academy, junto ao seu conhecimento em Design e Animação, atuação em UI|UX e experiência na criação de aplicativo móveis, fundou a Startup Mercadapp. É amante dos livros, da música, do teatro e do ballet. Tudo isso sempre junto e misturado a tecnologia e inovação. Escrever sempre foi seu refúgio dentro dessa jornada tão desafiadora, que é ser uma jovem mulher empreendedora
Foto: Acervo pessoal
Casa na árvore em Minas Gerais
Minas Gerais tem esse talento raro de nos receber sem alarde. Não é um estado que se impõe, ele acolhe. Talvez seja o jeito mineiro, talvez sejam as montanhas que abraçam a paisagem, talvez seja o tempo que corre diferente por ali. Foi em Icapuí Mirim, no interior de Minas, que vivi uma experiência simples e, ao mesmo tempo, profundamente simbólica: dormir em uma casa na árvore.
Minas nasceu do ouro, do caminho dos tropeiros, das cidades que cresceram ao redor da mineração no século XVIII. Mas também nasceu da roça, do quintal, da prosa longa e da relação íntima com a natureza. E é exatamente essa Minas menos óbvia, a do silêncio, da terra vermelha, do cheiro de mato, que Icapuí Mirim representa.
A casa na árvore não era um cenário de filme, mas parecia. Construída entre galhos e folhas, elevada do chão como se quisesse observar o mundo de outro ângulo, ela tinha aquele tipo de conforto que não se mede em estrelas, mas em sensação.
Subir as escadas e perceber que, naquela noite, eu dormiria literalmente entre árvores foi um lembrete direto da infância, quando subir em galho era aventura e não risco calculado.
Ali, tudo desacelera. O pôr do sol foi um momento inesquecível. O barulho não vem de carros, mas do vento. O despertador é substituído por pássaros. E a internet… bem, ela existe, mas perde completamente a importância. O verdadeiro sinal é outro: o de presença.
Só que na real, a noite virou um pouco filme de terror. Muitos ratos correndo por fora da casa, até que de repente, tinha um dentro de casa também. Apesar de todo desespero, entendi que eu que estava invadindo o ambiente desses seres. Então me protegi como era possível, e tentei ter uma boa noite de sono.
No dia seguinte, fui conhecer uma cachoeira da região. Minas não se contenta em ser montanha, ela guarda água em lugares secretos. Devido a temperatura um pouco baixa pra mim, mergulhei apenas os pés, sentei nas pedras depois de uma pequena trilha e apreciei a cachoeira por algumas horas.
Descobri também, confesso que estava curiosa por isso, que Minas também se revela na comida simples e perfeita, no café passado sem pressa, no “uai” que surge naturalmente na conversa. Há uma sabedoria silenciosa nesse estado: a de que viver bem não precisa ser complicado.
Dormir em uma casa na árvore em Minas não foi sobre luxo ou isolamento extremo. Foi sobre perspectiva. Ver o mundo de cima, ainda que por alguns metros, ajuda a relativizar coisas grandes demais que carregamos à toa. E acordar ali, com luz filtrada pelas folhas, foi como receber um aviso gentil: a vida pode ser mais leve.
Voltei de Icapuí Mirim com menos urgência e mais chão. Porque Minas faz isso com a gente. Não grita, não disputa atenção. Apenas te ensina, com calma, que às vezes o maior privilégio é subir numa árvore… e respirar.
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