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Arquiteta, é idealizadora do Estar Urbano - Ateliê de Arquitetura e Urbanismo, que já recebeu oito premiações na Casa Cor Ceará. Docente da Especialização em Arquitetura Sustentável da Universidade de Fortaleza (Unifor)

Laura Rios arquitetura

A experiência Urbana

Desde 2012, temos visto em Fortaleza diversas ações e atividades promovidas nos espaços públicos, tendo como bandeira a mobilidade urbana. Algo que numa visão de outrem sobre política pública de mobilidade urbana, acham que a questão sobre o tema se trata a partir de soluções técnicas para o tráfego urbano.

Mas tratar da mobilidade urbana é também cuidar da forma como as pessoas usufruem do espaço público, e isso se entrelaça com outras políticas públicas como as de segurança pública, cultura, esportes, e até de saúde pública. Então essas ações nos espaços públicos é uma importante mudança de das pessoas sobre o espaço público, mudando as suas percepções.

Quando se foca na experiência pessoal e coletiva no meio urbano, estimulamos o imaginário sobre aquele espaço (tratando aqui das possibilidades e diversidades de uso), da mesma forma que se revela o real, o tátil daquele lugar.

No meu lugar de atuação hoje, como arquiteta e promotora da acupuntura urbana, para mim, o propósito essencial é fazer as pessoas perceberem que a cidade ideal é a sua percepção sobre ela. Ela não existe só no imaginário ou na passividade do que ofertamos como experiência, mas sim na escolha das vivências que as pessoas querem ter, além do olhar crítico do que você vê e convive no seu dia a dia.

O que nos faz reconhecer um lugar e adjetivá-la como bonito ou feio, agradável ou confuso, seguro ou violento, lar ou não? Tudo é resultado daquilo que criamos e construímos socialmente, resultante das nossas experiências e percepções. E essas percepções podem ser mudadas, sem que necessariamente seja preciso mudar no campo físico.

O que quero dizer é para além da qualidade do espaço físico oferecido, é importante também promover a experiência urbana nele. E por isso que as atividades promovidas através de intervenções artísticas, lúdicas são também parte da política de mobilidade urbana.

Para cada um a experiência na cidade é diferente. E isso nos coloca em pontos de vista diversos também, em posicionamentos não necessariamente conflitantes. Isso é muito rico e precioso. Isso é a pluralidade que traz muitos benefícios, principalmente na discussão política sobre esses espaços.

No âmbito da mobilidade urbana, é a real democratização do uso das ruas e espaços públicos, sendo tratado de forma mais horizontalizada, uma vez que a experiência de cada um constrói seu lugar de fala.

O que tentamos é provocar uma mudança mais significativa na percepção das pessoas sobre sua cidade, e não só no espaço físico da rua em si.

 

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