Jornalista, Professora, Empreendedora social, Mestre em Educação (UFC). Nesta coluna Cidade Educadora, escreve sobre os potenciais educativos das cidades, dentro e fora das escolas
Jornalista, Professora, Empreendedora social, Mestre em Educação (UFC). Nesta coluna Cidade Educadora, escreve sobre os potenciais educativos das cidades, dentro e fora das escolas
Lançado na última semana, o relatório 2026 Perspectivas da Educação Digital da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) analisa pesquisas emergentes que apontam que a Inteligência Artificial Generativa (GeneAI) pode apoiar a aprendizagem quando guiada por princípios pedagógicos bem definidos.
No entanto, se usada sem orientação pedagógica, a demanda de tarefas para a IAG pode até melhorar performances de apresentações com tempo prévio de produção, porém sem ganhos, e mesmo com retrocessos, para a aprendizagem real e contínua.
De acordo com o relatório, delegar tarefas cognitivas a chatbots de IAG cria riscos de preguiça metacognitiva e desinteresse, o que pode prejudicar a aquisição de habilidades a longo prazo.
A pesquisa reforça que, embora os alunos com acesso a ferramentas de IAG produzam trabalhos de maior qualidade do que seus colegas, essa vantagem desaparece — e, às vezes, se inverte — quando os estudantes são submetidos a provas em que não há nenhum acesso às ferramentas dessa tecnologia.
Por outro lado, o documento menciona as vantagens da IAG quando se trata de estratégias de ensino, como as utilizadas em cenários de aprendizagem colaborativa, alinhados com a ciência da aprendizagem. Nesse caso, as ferramentas de IAG podem aumentar o conhecimento dos alunos, fortalecer suas habilidades de argumentação e tornar as ferramentas digitais tradicionais mais envolventes e eficientes.
Ou seja, a IAG, quando programada a partir de um propósito pedagógico bem determinado, funciona para potencializar o filtro, a organização e a robustez das pesquisas feitas na internet, sem tirar dos próprios estudantes a capacidade de refletir sobre essas informações e de produzir, escrita e oralmente, suas próprias percepções sobre os assuntos.
Outro benefício relatado no relatório diz respeito ao aprimoramento das aulas pelo professor, seja na busca e organização por informações, seja na elaboração de ferramentas educacionais.
Ao integrar a experiência do professor com o processo de design da IA, há uma ampliação das possibilidades de ensino de um mesmo conteúdo, um ganho de tempo e de recursos ao professor, que jamais seria alcançado de forma isolada pela IAG, sem a intervenção pedagógica correta do educador. Para o funcionamento da escola, também há pontos positivos, conforme cita o estudo.
Pela IAG, é possível, por exemplo, otimizar a gestão de sistemas, aprimorando muitos fluxos de trabalho internos, auxiliar na criação de itens de avaliação padronizados e revisar alinhamentos curriculares.
Do que não se pode esquecer, no meio de tudo isso, é que a atividade do estudante de questionar, analisar, refletir, pensar e escrever por si mesmo jamais pode ser terceirizada para a IA.
O próprio processo de ler e de elaborar resumos de compreensão de textos maiores, maduros, com informações mais detalhadas, a partir da maturidade de compreensão leitora de cada fase, não pode ser repassado para a IA.
Não na idade deles, em que o aprendizado recai até sobre a maneira como aprendem. É preciso ensinar os estudantes a usar a IA para aprimorar o processo de aprendizagem. Nada de normalizar a prática destrutiva de copiar a pergunta do livro na caixa de pesquisa da IA, receber a resposta e, simplesmente, anotar, para entregar ao professor!
- Mantenha livros de pesquisa em casa, como dicionários e enciclopédias de Ciências, Artes, História, Filosofia. Diante da atividade da escola, acostume-os a, primeiro, consultar esses livros;
- Caso não tenha livros de pesquisa, esteja atento para que a consulta na internet seja por sites confiáveis. Evite a primeira recomendação proposta por sites de busca. E nada de, simplesmente, copiar o que está posto na internet. Depois da leitura, oriente-os para que respondam a atividade com as próprias palavras, a partir do que compreenderam;
- Sempre que puder, estimule-os à leitura dos livros, leiam juntos textos mais complexos (com atenção à idade), discutam sobre os textos que leram. A leitura estimula o foco, a concentração, a paciência de compreensão e traz repertório de ideias e de escrita formal. A conversa pós-leitura incentiva à interação de diversos pontos de vista, ao questionamento, à criticidade e à melhor assimilação do conteúdo.
- Mesmo passando o dia fora de casa, no trabalho, reserve 10 minutos para checar as atividades dos seus filhos, conversar um pouco sobre o que ele estudou, o que aprendeu de novo e de interessante naquele dia; compartilhe o que você sabe sobre o assunto, relembre alguma passagem do seu tempo de escola sobre o tema. Os filhos sentem o apoio e o afeto do pais, mesmo nesses momentos mais rápidos. E isso faz toda diferença no entendimento deles de que você valoriza a escola e o processo de aprendizado deles. Isso também é uma potente prova de amor.
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