A frequência escolar de crianças e adolescentes cresceu no Ceará nas últimas duas décadas. Conforme dados do Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 26, entre 2000 e 2022, a taxa aumentou entre jovens de até 17 anos.
O maior destaque é a educação infantil. Em 2000, apenas 14,1% das crianças de até três anos frequentavam a escola. Em 2022, a taxa subiu para 34,4%, sendo a maior proporção de crianças nessa faixa etária frequentando a escola do Nordeste. O número de crianças em creche mais que duplicou.
Apesar disso, o Estado não atingiu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) válido até 2024, que tinha como objetivo a ampliação da oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até três anos. No Brasil, apenas 646 municípios brasileiros atingiram a meta.
Entre os 184 municípios do Ceará, somente 14 conseguiram alcançar o objetivo do PNE para creches: Ararendá, Ereré, Jaguaribara, Cedro, Monsenhor Tabosa, Abaiara, Caridade, Saboeiro, Iracema, Uruoca, Arneiroz, Novo Oriente, Varjota e Ipaporanga.
Já na faixa etária de quatro a cinco anos, a frequência foi de 70,6% em 2002 para 92,6% em 2022. De acordo com o IBGE, o Ceará possui 55,4% das pessoas com até cinco anos de idade frequentando escola ou creche, ficando acima da média nacional, de 52,2%.
As crianças e adolescentes de 6 a 14 anos são os que mais frequentam a escola, com taxa de 98,6% em 2022. Essa faixa etária já tinha bons índices em 2000 (93,6%) e teve um crescimento mais tímido.
Uma das faixas etárias mais desafiadoras para a educação, os adolescentes de 15 a 17 anos também tiveram crescimento da taxa de frequência: de 78,9%, em 2000, para 85,9%, em 2022. No entanto, os números mostram que 14,1% ainda estão fora da escola.
A única faixa etária que não houve aumento da frequência escolar foi a de 18 a 24 anos. Em 2000, os jovens adultos tinham taxa de 35,3%. Já em 2022, a proporção desse grupo que frequenta alguma instituição de ensino foi de 24,3%.
Para Juliana Queiroz, analista de divulgação do IBGE, “esse resultado se deve à redução da parcela de jovens dessa faixa etária frequentando ensino médio ou níveis anteriores”. A redução também foi registrada nos dados nacionais.
“Nos anos 2000, entre os estudantes que frequentavam a escola aos 18 a 24 anos, a maior parte estava no ensino médio, 44,3%, seguido do ensino fundamental com 32,1%, e depois do ensino superior com 23,6%. Esse cenário se inverte agora em 2022, em que a maior parte está no ensino superior, 56,4%”, afirma Juliana.
Há ainda diferenças marcadas pela raça. Na infância, até 3 anos, a frequência maior é de crianças pretas e indígenas (37,6% e 42,2%, respectivamente). Com o passar dos anos, a maior proporção de jovens frequentando a escola passa a ser de brancos.
Entre os anos de 2000 e 2022, o Ceará reduziu de 71,9% para 43,0% a proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que não tinham instrução ou que tinham o ensino fundamental incompleto.
Ao mesmo tempo, o Estado elevou de 12,4% para 30,1% a proporção das pessoas dessa faixa etária com ensino médio completo ou com ensino superior incompleto.
Diferenças entre raças
A maioria é de crianças pretas e indígenas na infância, mas proporção de brancos aumenta com o passar dos anos.
Há, ainda, diferenças marcadas pela raça. Na infância, até três anos, a frequência maior é de crianças pretas e indígenas (37,6% e 42,2%, respectivamente). Com o passar dos anos, a maior proporção de jovens frequentando a escola passa a ser de brancos.
Entre os anos de 2000 e 2022, o Ceará reduziu de 71,9% para 43,0% a proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que não tinham instrução ou que tinham o ensino fundamental incompleto.
Ao mesmo tempo, o Estado elevou de 12,4% para 30,1% a proporção das pessoas dessa faixa etária com ensino médio completo ou com ensino superior incompleto.
Taxa de frequência escolar bruta
0 a 3 anos
2000: 14,1%
2022: 34,4%
4 a 5 anos
2000: 70,6%
2022: 92,6%
6 a 14 anos
2000: 93,6%
2022: 98,6%
15 a 17 anos
2000: 78,9%
2022: 85,9%
18 a 24 anos
2000: 35,3%
2022: 24,3%
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)