O Ceará receberá até fevereiro 48 freezers para congelar e armazenar bolsas de plasma — componente derivado do sangue. Entregues pelo Ministério da Saúde (MS) ao Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), os equipamentos devem otimizar a produção nacional de remédios usados no tratamento de pacientes hemofílicos e imunossuprimidos.
Os hemocentros de Fortaleza, Sobral e Crato já estão habilitados e qualificados para receber os produtos importados pelo MS. Além do Ceará, outros 21 estados receberão 604 equipamentos ao todo. A inauguração simbólica de seis freezers que já estão sendo utilizados no Hemoce foi realizada nesta sexta-feira, 28.
LEIA TAMBÉM | Semana do Doador de Sangue convoca voluntários para abastecer estoque no Ceará
São R$ 116 milhões investidos na compra dos freezers, sendo R$ 6,5 milhões destinados às unidades do Ceará. Os recursos são oriundos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Saúde.
O objetivo é fortalecer a autossuficiência do Brasil na produção de medicamentos hemoderivados, como a albumina e a imunoglobulina. Esses compostos são feitos a partir do plasma humano.
Em vez do País depender da importação dos remédios, as tecnologias permitem que eles sejam produzidos pela Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e repassados aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso deve gerar economia de R$ 260 milhões por ano ao governo federal.
“A gente está fornecendo do SUS para voltar para o SUS. A estimativa é que a gente tenha um aumento de pelo menos 30% da nossa capacidade de ofertar o plasma para a indústria”, diz Luany Mesquita, diretora geral do Hemoce. Desde 2022, o hemocentro do Ceará já enviou 14 mil litros de plasma para a Hemobrás.
Entre as máquinas enviadas ao Estado estão os blast-freezers, de congelamento ultra-rápido. De acordo com Luciana Maria de Barros, coordenadora geral de Sangue e Hemoderivados do MS, essa tecnologia ainda não estava presente na hemorrede pública.
Com o blast-freezer, uma bolsa de plasma chega à temperatura ideal para armazenamento em apenas uma hora e meia. Em um equipamento menos potente, o ponto de congelamento é atingido somente seis a oito horas depois.
Luciana explica que as proteínas de coagulação presentes nesse hemocomponente se degradam em temperaturas mais altas. Quanto mais rápido o congelamento, menos proteínas são perdidas, garantindo uma qualidade mais alta e melhor aproveitamento do plasma pela indústria.
“É a possibilidade da doação de sangue ser 100% aproveitada, tanto para a transfusão quanto para a produção desses medicamentos que são oriundos do plasma”, afirma Luany Mesquita.
Os freezers também são importantes para o armazenamento do plasma nos hemocentros, com cada um comportando cerca de 650 litros na temperatura de -30° C.
“Uma grande angústia que a gente sempre teve no Brasil foi não ter espaço de armazenamento suficiente. Muitos hemocentros têm equipamentos já antigos, que poderiam dar problema. Se a indústria não pegar o plasma e o equipamento der problema, a gente poderia ter que descartar”, relata Denise Brunetta, diretora técnica do Hemoce.