Frente às investidas dos grupos criminosos para domínio de territórios e de serviços prestados na sociedade - como turismo, internet, transporte de passageiros e venda de combustíveis - Roberto Sá, secretário da Segurança Pública do Ceará, pontua ter reorganizado a atuação das forças de segurança e reforçado o efetivo.
Um dos destaques seria o incremento no efetivo da inteligência, área que possuía 175 membros e, agora, conta com 791 policiais.
Houve também a duplicação dos comandos intermediários, que saíram de quatro para oito, a fim de diminuir a área de atuação dos policiais e concentrar esforços.
Na forma de agir contra as facções, a principal mudança seria a inclusão da Polícia Militar nas diligências cumprimentos de mandados de prisão, que antes eram realizadas apenas pela Polícia Civil.
Batizada de "Procumpri", a medida foi oficialmente lançada no mês de dezembro/2025. De acordo com Roberto Sá, a inclusão da PM resultou em um salto de 6 mil para 43 mil no número de diligências, com mais de 2 mil prisões.
"Foram 37.000 diligências a mais na casa de criminoso com mandado de prisão batendo na porta dele e, ou capturando ou dizendo para família, 'nós iremos voltar'", revela o secretário.
De acordo com Roberto Sá, "essa é uma estratégia de desestabilizar o criminoso e tirá-lo da zona de conforto, de dizer 'aqui no Estado você não vai fazer graça, não vai se criar' e se cometer crime, vai ser preso", enfatiza.
Outro ponto destacado é o número de prisões ao longo de 2025. Entre janeiro e dezembro foram capturados 2.883 executores ou mandantes de assassinatos. Foram efetuadas 2.541 prisões de membros de facções, 96% a mais que em 2024, em um somatório que se aproxima das 5.550 prisões no decorrer do ano.
Há destaque para as apreensões de arma de fogo, com 7.221 dispositivos sendo tirados de circulação. Maior índice da série histórica (2015 a 2025). A região com o maior número de apreensões foi o Interior Norte, com 2.086.
Também houve a inauguração de quatro delegacias do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), duas em Caucaia, uma em Maracanaú e outra em Maranguape.
Para o secretário, a previsão é de que essas e outras decisões que vêm sendo tomadas avancem o Estado na repressão do crime organizado e causem mudanças.
"Tenho expectativa que isso se mantenha. Hora um pouco subindo aqui, descendo ali. É possível que a criminalidade sofra mudança no seu perfil e nossa inteligência tem de alertar e tentarmos nos antecipar", conclui Roberto Sá.