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Polícia Federal apreendeu 32 mil fósseis do Ceará em 10 anos

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A oferta constante de fósseis do Geopark Araripe em site de classificado ou de lojas físicas e virtuais nos EUA, Alemanha, Reino Unido, França e Espanha é resultado do tráfico do que é extraído da bacia sedimentar do Cariri cearense. Em dez anos, entre 1998 a 2008, a Polícia Federal no Ceará apreendeu 32.728 “pedras” pré-históricas que deixariam o território brasileiro para serem vendidas ilegalmente na América do Norte e Europa.


Segundo a delegada Josefa Maria Lourenço, chefe da Delegacia Federal de Juazeiro do Norte (DPF/JNE), 19 pessoas foram presas em flagrante e 31 indiciadas em pelo menos 30 inquéritos durante o período mencionado.


Entre os nomes que se repetem nos flagrantes está o do alemão Michael Lothar Günther Schwickert. Josefa Lourenço conta que o estrangeiro “foi preso duas vezes pela Polícia Federal”. Respondeu dois inquéritos no Ceará, mas foi solto e sumiu do Brasil.


De acordo com o pesquisador Álamo Saraiva, coordenador do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca), Michael Schwickert é um “costumeiro vendedor de fósseis da Chapada do Araripe a colecionadores, pesquisadores, Universidades e museus pelo mundo”.


Saraiva explica que, além de conhecer como poucos as formações e os grupos da bacia fossilífera do Geopark Araripe, Michael Schwickert é geólogo e também “ótimo preparador de fósseis. O melhor que já vi”. Um especialista em “lapidação” da pedra Cariri retirada do calcário laminado da Chapada do Araripe. Território onde está depositado um dos capítulos da transformação da vida na Terra.


O paleontólogo elogia o trabalho da Polícia Federal, mas afirma que grandes carregamentos de fósseis do Ceará conseguiram atravessar as fronteiras brasileiras. Ele cita, como indício, o artigo do paleontólogo chinês Shih Wei Lee, publicado ano passado: Taxonomic diversity of cockroach assemblages (Blattaria, Insecta) of the Aptian Crato Formation. (Cretaceous, NE Brazil ou, em tradução livre, Diversidade taxonômica dos conjuntos de baratas (Blattaria, Insecta) da Formação do Aptian Crato (Cretáceo, NE Brasil.


No trabalho científico, o pesquisador chinês descreve a “morfometria em 981 fósseis de baratas de dez espécies diferentes” do Araripe. Os “insetos” pertencem ao Staatliches Naturkunde Museum Stuttgart, na Alemanha. “Das 9.400 pedras que o Museu de Paleontologia de Santana tem, apenas 48 são de baratas fósseis. Os alemães têm quase mil. Essa compra foi lícita? Não tem possibilidade de ter saído legalmente do Brasil”, observa Álamo Saraiva.

 

OPERAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL CONTRA O TRÁFICO


Operação Cardume Em abril de 2013, deflagrou ação em São Paulo/SP. Encontraram diversos fósseis na residência de um homem, indicado como fornecedor das peças para lojas de artesanato.

 

Operação Munique Em outubro de 2013, recuperou pedras semipreciosas e fósseis. Sete mandados de prisão e nove de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro. Em lojas e centros de distribuição. Mais de dois mil fósseis e artefatos arqueológicos foram apreendidos.

 

Operação Flintstones

Em agosto de 2015, recuperou fósseis e artefatos de cavernas nas cidades de São Paulo, Taboão da Serra (SP), Rio e Soledade (RS). Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos.


Saiba mais

 

Nos últimos cinco anos, 2012 a 2017, a Delegacia Federal de Juazeiro do Norte apreendeu 111 fósseis, prendeu/indiciou 19 pessoas e abriu 13 inquéritos.

 

Este ano, em abril, foram presas em flagrantes três turistas. Eles transportavam um fóssil cada um, nas bagagens de mão.

 

O material foi identificado pelo Raio X, no check in do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, de Juazeiro do Norte. Eles alegaram não ter conhecimento de que a aquisição e o transporte do material era crime.

 

De 2009 a 2011, a Polícia Federal não informou se houve prisões de traficantes e apreensões das pedras fossilizadas.

 

Segundo a delegada federal Josefa Lourenço, de Juazeiro do Norte, o tráfico vem ocorrendo, principalmente, na exploração de trabalhadores das minas de calcário e pedra cariri.


FONTE: POLÍCIA FEDERAL NO CEARÁ/JUAZEIRO DO NORTE

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