A usina térmica Portocem iniciou as obras no terreno de 39 hectares reservado para as instalações no setor II da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. O POVO teve acesso exclusivo à área e conferiu o trabalho inicial de supressão vegetal em execução na última quarta-feira, 3.
Hoje, dia 5, Emílio Vicens, CEO da Ceiba Energy - controladora da usina - estará no Pecém para o lançamento oficial da pedra fundamental do empreendimento. O evento deve reunir autoridades do setor e tem presença confirmada do governador Elmano de Freitas (PT) e do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Com um investimento total de R$ 4,7 bilhões e capacidade de 1.572 megawatts (MW), a Portocem é a primeira usina a se instalar na primeira ampliação da ZPE do Ceará, que foi inaugurada em novembro do ano passado. O número de empregos gerados na construção é estimado em 1,7 mil postos.
"Estão em curso essas obras de supressão vegetal enquanto aguardam as licenças para iniciar a terraplanagem. É um investimento de bilhões no Ceará, que não é fácil, e é algo que acontece agora", ressalta Eduardo Neves, presidente da ZPE do Ceará.
Em entrevista exclusiva ao O POVO, ele explica que outras licenças de operação junto ao Conselho das ZPEs também estão em análise paralelamente, mas sem empecilhos ao andamento do projeto.
A Portocem tem pré-contrato assinado com o governo do Estado desde dezembro do ano passado - quando a área foi reservada no setor II - e é uma das âncoras para formação de um hub de gás natural do Pecém, para o qual o Porto deve dedicar um píer exclusivo na operação.
O empreendimento deve iniciar a operação em 2026 com uma demanda de 9 milhões de metros cúbicos de gás natural, o que vai exigir a construção de um quadro de boias flutuantes. A estrutura funciona como um novo terminal, no qual os navios fazem o transbordo do combustível para o navio regaseificador.
Hugo Figueirêdo, presidente do Complexo do Pecém, informou que a expectativa é de que essas obras comecem no próximo ano e sejam concluídas após dois anos.
Vencedora do 1º Leilão de Reserva de Capacidade de Potência, realizado em dezembro de 2021 pela Aneel e pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), para contratação de reserva de potência para o SIN (Sistema Interligado Nacional), a Ceiba Energy vai construir a 5ª térmica do Ceará.
Os números da usina a colocam como a segunda maior do País e a maior do Ceará - estudos conduzidos ainda no governo Camilo Santana (PT) indicam que é o maior empreendimento industrial instalado no Ceará depois da siderúrgica.
Instalação da térmica é marco nos 10 anos de ZPE
O lançamento da Portocem é encarada por Eduardo Neves, presidente da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, como um dos motivos para comemorar os dez anos da empresa, que foi a primeira a funcionar no Brasil.
"É um marco para os dez anos é essa consolidação da termelétrica Portocem. É a primeira empresa do setor 2, que inauguramos em novembro de 2021. Tivemos a coragem de inaugurar uma área nova ainda numa legislação antiga, apostamos e colocamos a primeira empresa lá dentro", ressalta o executivo.
Com a área 1 destinada quase exclusivamente às operações da siderúrgica - antes Companhia Siderúrgica do Pecém e, hoje, ArcelorMittal Pecém -, Neves conta que era necessário mais espaço para abrigar possíveis novos investidores.
Na prática, a ZPE é uma área onde empresas exportadoras se instalam na busca de benefícios fiscais, como liberdade cambial e dispensa de algumas licenças. Atualmente, no Ceará, a ArcelorMittal, a White Martins e a Fênix tem contrato com a ZPE para tais negócios.
Mas a chegada de empreendimentos de diferentes setores produtivos e com potencial exportador ao Estado, como destaca Neves, motivaram o Complexo do Pecém - controlador da ZPE - a promover a expansão da área.