Principal nome do elenco do Ceará, Vina quer construir uma nova história no clube em 2026. Xodó da torcida, o camisa 29 retornou a Porangabuçu em julho do ano passado e amargou novo rebaixamento da Série A — algo que já havia vivido em 2022. Desta vez, optou por permanecer para tentar reconquistar o apoio das arquibancadas e recolocar o Alvinegro na elite do futebol nacional.
O meia-atacante concedeu entrevista coletiva ontem, um dia depois de marcar dois gols na vitória por 4 a 1 sobre o Tirol, pelo Campeonato Cearense. De forma franca, o jogador de 34 anos falou sobre os aprendizados com a queda para a Segundona, pediu desculpa aos torcedores e cobrou “mentalidade vencedora” do elenco atual para brigar por títulos.
“Eu tive várias lições do que aconteceu no ano passado, aprendi. Com certeza isso me amadureceu ainda mais. Nós, jogadores, tenho certeza que a grande maioria sofreu, mas a gente tem a consciência que o torcedor sofre muito mais”, admitiu Vina. “Eu já pedi desculpas, peço novamente, mas a gente tem que pensar daqui para frente, se unir cada vez mais, tentar, a cada jogo, reconquistar nosso torcedor, ver o estádio cheio novamente, o torcedor feliz de estar torcendo para nós, pelo seu time do coração”, projetou.
Campeão da Copa do Nordeste de 2020 pelo Vovô, Vina aponta que a equipe entra como candidata ao topo da tabela na Série B e deve ter este foco. Identificado com o clube, o paranaense trata o acesso como uma missão nesta temporada para retomar a sinergia com os alvinegros. Ele também se colocou como uma das lideranças do elenco, inclusive para ajudar os atletas recém-integrados das categorias de base.
“Não abri isso para muitas pessoas, mas, com certeza, esse ano, para mim, pode ser o mais desafiador da minha carreira, por tudo que o Ceará representa para mim, por estar hoje aqui, estar querendo reconquistar o torcedor, fazer ele sorrir novamente. Vivi coisas maravilhosas aqui no Ceará e sei que uma Série B não é para esse clube”, analisou o jogador.
Após um retorno sem muito brilho, sem balançar as redes em 16 jogos no segundo semestre de 2025, o camisa 29 começou a atual temporada embalado: é o artilheiro alvinegro, com três gols em três partidas, além de uma assistência. E voltou até a fazer uma função que já exerceu no Ceará, como homem de referência no ataque, já que o técnico Mozart conta apenas com Lucca enquanto os dirigentes buscam um centroavante no mercado da bola.
“Com o Dorival (Júnior), joguei, até mesmo com o Tiago Nunes cheguei a jogar também. Para mim não é novidade. Me sinto bem ali, porque, mesmo jogando de meia, eu sou um cara que gosto muito de estar dentro da área. De 9 (centroavante) fica ainda mais perto da área. Com isso, tem que ser municiado por outros jogadores, pelo meia, pelos pontas”, explicou Vina.
O trabalho do comandante, inclusive, recebeu elogios do meia-atacante. Ao longo da entrevista, Vina destacou o “repertório”e os “argumentos” de Mozart, referindo-se à parte tática. Ele revelou que o treinador exibiu vídeos de partidas de quando estava à frente de Mirassol e Coritiba para o elenco do Ceará, para explicar o modelo de jogo e apontou o nível de cobrança como principal diferença entre o atual técnico e o antecessor Léo Condé.
“Parte tática, parte técnica, não vou entrar muito na questão porque cada treinador tem sua forma, mas o que eu vejo de diferente do Mozart é a cobrança. Ele cobra muito mais”, comparou. “Depois que você assimila e consegue fazer aquilo que ele (cobra)… É bonito de ver, o estilo de jogo do treinador. Que a gente possa ajudar ele, se adaptar o mais rápido possível para as coisas ficarem fácil dentro de campo”, projetou.