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Jornalista formado na Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi repórter do Vida&Arte, redator de Primeira Página e, desde 2018, é editor de Esportes. Trabalhou na cobertura das copas do Mundo (2014) e das Confederações (2013), e organizou a de 2018. Assinou coluna sobre cultura pop no Buchicho, sobre cinema no Vida&Arte, assumiu espaço sobre diversidade sexual no mesmo caderno e, agora, escreve sobre a inserção de minorias (com enfoque na população LGBTQ+) no meio esportivo

André Bloc esportes

Jogos Paralímpicos são chance de "superar" o capacitismo

As Paralimpíadas terminam com desempenho recorde dos atletas brasileiros e a oportunidade de ver a realidade de superesportistas, sem fantasia ou coitadismo
Tipo Análise
Gabrielzinho garante 2º ouro na Paralimpíada, agora nos 50m costas (Foto: )
Foto: Gabrielzinho garante 2º ouro na Paralimpíada, agora nos 50m costas

ESPORTES. A Olimpíada veio e foi, com recordes para o Brasil. Agora, os Jogos Paralímpicos de Tóquio chegaram ao capítulo final, com marcas ainda mais significativas para o esporte nacional. A oportunidade que não podemos perder é mostrar a dimensão que os eventos trazem para atletas de elite, tanto os sem, quanto os com deficiência.

A Olimpíada precisa se impor no imaginário brasileiro, por vezes povoado por futebol e nada mais. A Paralimpíada tem um desafio extra. É menos cobertura, menos visibilidade, menos investimento, ainda que os resultados sejam mais significativos e as histórias tanto ou mais emocionantes.

Jogos Paralímpicos são a lembrança de que pessoas com deficiência existem. É verdade, chegam a 25% da população brasileira, segundo o IBGE, ainda que muitos prefiram ignorar. E, para além da felicidade dos recordes, precisamos comemorar o início da superação do discurso da "superação".

Porque a partir do momento que você pinta um esportista campeão como um "coitadinho" que precisou superar percalços, vocês está sendo capacitista. Estamos falando de atletas — de superatletas, que atingiram o ápice de uma modalidade. A deficiência de uma pessoa nem a rebaixa, nem a exalta. É parte de quem se é.

Paralimpíada é um grito conjunto. É uma minoria — ou ainda dezenas de minorias — se unindo em prol de causas. Um ideal de justiça social, paridade de tratamento, igualdade de oportunidades.

Temos a chance de ver, ao vivo, na televisão, centenas de pessoas com deficiência, como não são retratados em filmes, séries ou novelas.

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