O Ministério Público do Estado (MPCE) denunciou nessa quarta-feira, 21, o soldado da Polícia Militar do Ceará (PM-CE) que matou a própria namorada, que também era soldado da PM, no Eusébio (Região Metropolitana de Fortaleza). Joaquim Gomes de Melo Filho, de 28 anos, foi preso em flagrante e continua encarcerado pela morte de Larissa Gomes da Silva, que tinha 26 anos.
A denúncia narra que, no dia 3 de dezembro passado, Joaquim e Larissa estavam no carro do PM quando começaram a discutir. A soldado foi atingida por dois disparos, que a atingiram na região do ombro esquerdo e do peitoral direito.
Joaquim conduziu o carro até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Eusébio, onde o óbito de Larissa foi constatado. O PM também foi atingido por um tiro na coxa esquerda, tendo recebido atendimento inicial na UPA e, em seguida, no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza.
Na denúncia, o promotor Aníbal Ferreira Cardoso afirmou que o relacionamento do casal era “conturbado” e “marcado por violência doméstica”, mas que a vítima nunca havia formalizado nenhuma queixa.
Mensagens enviadas por Larissa mostram a PM desabafando sobre as violências sofridas. Ela chegou a tirar fotos para registrar lesões que havia sofrido por parte de Joaquim. Como O POVO mostrou em 5 de dezembro, em um áudio, Larissa afirmou que, em uma determinada, Joaquim a agrediu com coronhadas.
"Uma cena horrível, o sangue começou a escorrer", disse. "Eu pensei, é agora que ele vai me matar". Além disso, uma amiga de Larissa contou à Polícia Civil que, em outra oportunidade, Joaquim chegou a atirar no celular da namorada.
Em seu depoimento, Joaquim afirmou que estava conversando com Larissa no carro quando ela “se exaltou, colocou a mão dentro da mochila, pegou a arma de fogo e apontou na direção dele”. Ele ainda disse que segurou a mão dela, empurrando a arma para baixo, mas Larissa conseguiu atirar.
“Ademais, relatou que, quando viu que ela não iria parar de atirar, soltou a mão dela, sacou sua arma e efetuou dois disparos em direção a parte de baixo”, consta na denúncia. “Por fim, disse que pediu apoio para um grupo de WhastApp do Eusébio com vários policiais e dirigiu até a UPA”.
Outro PM que foi acionado para a ocorrência afirmou em depoimento que, durante o trajeto até o IJF, Joaquim afirmou: “acabei com a família da Larissa e acabei com a minha família”.
Joaquim foi denunciado por feminicídio, tendo sido levado em conta que a vítima deixou três filhos — circunstância em que a pena é aumentada de um terço até a metade, conforme o artigo 121-A, § 2º, I, do Código Penal Brasileiro.
Outro agravante utilizado pelo MPCE foi o uso de uma pistola Sigsauer, calibre.40, de uso restrito (art. 121-A, § 2º, V). O POVO não conseguiu localizar a defesa do acusado.