Já houve de tudo no caso do Master: do sigilo imposto sem justificativa até um resort de luxo em nome de irmãos do ministro do STF Dias Toffoli, relator das investigações de uma fraude bancária que sobressalta o mundo político. Nada disso soa republicano, o que, em tempos normais, talvez fosse suficiente para que o magistrado se afastasse dos trabalhos.
Mas não é isso que se vê. Pelo contrário, a disposição do juiz é a de seguir à frente do inquérito, a despeito do constrangimento que o teor das revelações representa para a corte suprema do país. E não somente por causa de Toffoli, mas também pelas relações profissionais que a esposa de Alexandre de Moraes mantêm com o banco. Tudo somado, trata-se de um episódio com alta octanagem, especialmente em ano eleitoral. Dias atrás, Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, deu a senha para Brasília ao soprar nos ouvidos da PF o nome de Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal. Por ora, ficou apenas nele.
Presume-se, contudo, que a sua listinha de contatos seja mais extensa, com telefones de gente graúda na Câmara e no Senado - e eventualmente no Judiciário. Daí o clima de barata voa entre deputados federais (a exemplo de Hugo Motta e Artur Lira), sobretudo em razão do temor de uma colaboração premiada. Visto de longe, então, o escândalo do Master tem um roteiro que lembra outras crises recentes no Brasil.