O uso da inteligência artificial (IA) tem transformado o ambiente acadêmico, mesmo que o acesso a esta tecnologia ainda esteja em seus estágios iniciais e apresente mais dúvidas do que respostas. Dados de um estudo da Unesco denominado "AI competency framework for students" ("Estrutura de competência de IA para estudantes", na tradução em português) revelaram que, até 2022, apenas 15 países haviam incluído objetivos de aprendizagem de IA nos currículos educacionais em geral. Tal informação que, em princípio, pode ser vista como excludente, apresenta uma oportunidade de melhorias e reflexões.
Os benefícios do bom uso da IA podem ser vários, como redução de até 60% dos custos de tradução; facilidade de distribuição do conteúdo em diferentes mercados e plataformas e maior agilidade em processos de aprendizagem, desde a preparação de manuscritos até a elaboração de resumos de capítulos e questões avaliativas. Soluções de IA adotadas por universidades públicas e privadas no Brasil, por exemplo, já viabilizam traduções multilíngues de diversas publicações, permitindo acesso ao conhecimento em idiomas pouco acessíveis, como hindi e coreano.
Seguindo nesta mesma linha, uma pesquisa realizada pela Inteligência Artificial na Educação Superior, da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) com a Educa Insights, aponta que professores corroboram o fato de que IA agiliza o tempo; além de ser eficaz na personalização do conteúdo e elaboração de questionários alinhados aos padrões educacionais. Os respondentes também alegam que o recurso é capaz de disponibilizar tutores virtuais inteligentes para gerar planos de aulas.
O mesmo estudo revelou que 80% dos universitários afirmaram conhecer as ferramentas de IA, sendo que 71% fazem uso frequente delas. Os estudantes relataram pontos positivos, como acesso a informações atualizadas e rapidez na resolução de dúvidas. Porém, criticaram a falta de interação humana, a dependência excessiva de tecnologias, e o risco de falhas ou obsolescência.
Consequentemente, segundo o levantamento, 7 em cada 10 alunos universitários consideram importante ou muito importante que as instituições de ensino superior invistam em IA e incorporem as ferramentas no ensino.
A comunidade acadêmica não está imune a essa discussão, uma vez que estamos diante de novas maneiras de aprender e de estudar. O setor educacional já vem sendo apontado como um dos que lideram o uso da IA entre outros setores da economia, logo, estão sendo pressionado pelos próprios estudantes.
A efervescência do cenário e as demandas a ele inerentes deixam claro que o universo acadêmico deve manter um alto nível de julgamento crítico com relação às novas soluções de IA, ao mesmo tempo em que não deve fechar as portas aos seus benefícios e aos anseios dos próprios alunos e professores. A cada ano, aprofundamos a construção dessa nova educação sob novos tempos. No fundo, estamos aprendendo a aprender de uma forma totalmente nova, incerta, mas potencialmente transformadora com a IA.