O Irã vive seu pior momento desde a Revolução Islâmica de 1979 quando o autoritário regime teocrático substituiu uma monarquia igualmente despótica e usurpadora mantida no poder com apoio do ocidente. Os iranianos têm colhido tormentas dede a queda da última dinastia Kadjar após a Primeira Guerra Mundial.
Se consultado presentemente, poucos optariam em viver num regime como o atual do país persa, porém a opção anterior não apresentava dias melhores à população. O que nem todos sabem é que o Irã já foi um país democrático com um líder eleito, Mohammad Mossadegh.
Porém, ao adotar uma política nacionalista e tomar para o Estado o controle das imensas reservas petrolíferas, desagradou, sobretudo, Reino Unido e Estados Unidos que patrocinaram sua queda por meio da recém-criada CIA, na famosa Operação Ajax que destituiu Mossadegh em 1953 e recolocou no comando o Xá Reza Pahlevi.
Durante o último quase meio século de vigência do atual regime, o Irã legou ao mundo uma falsa aparência de força, mas que fora desmascarada ano passado após uma postura quase humilhante diante dos ataques israelenses. A supremacia do Estado judeu e a fragilidade da propalada força aérea iraniana tornaram as coisas claras.
Apesar de ser de um país persa, o líder Supremo do Irã utilizou-se durante a crise de 2025 do mesmo subterfúgio de seus colegas árabes para vender internamente a falsa ideia de vitória: o blefe. Contudo, se havia alguma dúvida sobre a força militar iraquiana, Israel tratou de eliminá-la. Primeiro, ao executar aliados de Khamenei dentro de Teerã e depois, humilhando as forças militares do regime. Em seguida, os Estados Unidos completaram a sujeição num único e fulminante ataque.
Após esses episódios a noção de que o Irã seria um tigre de papel tornou-se evidente. Ao mundo e também internamente. Porém, contra seus cidadãos o regime é bem mais vigoroso, perseguindo, prendendo, e executando quem ousa questionar o regime. Mesmo assim, a população foi às ruas. Até aqui, estima-se 3 mil mortes, mas são números difíceis de precisar.
Costuma-se no mundo progressista e intelectualizado torcer pelo regime contra a opressão que o Ocidente, inegavelmente, sempre impôs à região, mesmo porque, apesar de tudo, o movimento de 1979, foi anticolonialista. Não ser solidário a um regime tão cruento para com seu povo, não significa torcer pelo outro lado em que está, como se sabe, a opção do retorno de simpatizantes da monarquia pró-Estados Unidos, possibilidade, diga-se, muito remota. Por outro lado, parece claro que, sim, o velho imperialismo se avista intensamente. Já deu as caras na América do Sul e ronda novamente o Golfo Pérsico.
Que o Irã terá nova liderança em breve, não resta dúvida, porém, mais provável, dentro do mesmo regime.