No último dia 20, em diversos posts da internet, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump apareceu segurando um mapa que apresentava regiões do mundo sob a bandeira americana. Assim como a Venezuela, que pretende governar enquanto um protetorado seu no Caribe, apareceram como áreas sob soberania americana o Canadá e a Groenlândia. A plateia para quem apresentava este novo mapa da América do Norte e da América Central eram diferentes líderes europeus.
Duas questões emergem dessa postagem, que foi inclusive compartilhada por Trump em seu perfil na rede social da qual é proprietário. Em primeiro lugar, o fato de que se trata de uma imagem trabalhada por inteligência artificial. O encontro com os líderes europeus de fato teve lugar no mês de agosto de 2025, mas o mapa não lhes foi apresentado daquela maneira.
O tópico central da discussão eram as tarifas comerciais aplicadas por Trump a empresas europeias que pretendam acessar o mercado americano. O novo mapa, porém, foi inserido recentemente, devido à recente tensão entre os EUA e seus - ainda - aliados europeus no entorno da posse da Groenlândia, que é a segunda questão em pauta.
Pode passar ao largo, mas não é apenas a Groenlândia que vem sendo alvo de tensões entre os países europeus e seu aliado maior na Otan. Nesta mesma semana que passou, Trump e Keir Starmer, líder britânico, tiveram um grande desentendimento no entorno de um arquipélago do Oceano Pacífico. As ilhas Chagos foram parte da colônia britânica das Ilhas Maurício até a década de 1960, quando foram separadas destas. Foi uma forma de permitir a independência de uma parte do arquipélago, mas garantir a existência de uma base militar britânica, posteriormente compartilhada com os americanos, no Oceano Pacífico.
O governo britânico chegou a expulsar a população originária das ilhas Chagos nos anos 1970 e 1980 para a construção da base, que agora deve ser devolvida para as Ilhas Maurício - e sem indícios de realocação daqueles que antes lá habitavam.
O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, chegou a apoiar a devolução das ilhas quando foi anunciada em 2025. Porém, agora se opõe, ao perceber que a base americana é de fundamental importância para uma atuação ágil tanto no Pacífico quanto na Eurásia. Em meio ao expansionismo escancarado de Trump, parece que o Departamento de Estado percebeu a importância de ter um ponto de pressão sobre a Eurásia, nem que para isso o adversário estratégico deixe de ser a China, e, portanto, a Ásia, e passe a ser a Europa acuada por duas potências nucleares que almejam determinar seu futuro.
A Groenlândia e as ilhas Chagos são, dessa forma, duas áreas da mesma expansão marítima e aérea que pretende o governo Trump para seu futuro imediato.