A compreensão do mundo em que hoje vivemos, como da postura do ser humano frente ao todo da realidade, passa pelo entendimento da revolução tecnológica da modernidade. Nesse quadro de compreensão, a técnica não se limita a ser uma esfera da sociedade, ao lado de outras, mas constitui o eixo determinante desse tipo de civilização. Os paradigmas do pensamento e da ação são reestruturados na base do novo modelo de conhecimento, a ciência moderna e sua técnica.
A globalização, a nova forma de acumulação e regulação do capital, não se limita a um evento econômico, mas constitui um fenômeno complexo de diversas dimensões e de muitos aspectos, que marca a vida dos povos, suas instituições e seus modelos culturais. Ela incrementou os processos de interconexão econômica, política e cultural, acarretando um intercâmbio mais estreito entre os países, acelerando a interdependência de forma assimétrica, agravando a situação periférica dos países pobres.
Esse sistema foi possibilitado, entre outros fatores, por duas revoluções:
a) A revolução dos instrumentos tecnológicos, sobretudo, da informática e da robótica, que diminuem o consumo de energia e tempo nas tarefas vinculadas à produção, necessita, cada vez mais, de conhecimento ao invés de trabalho manual, consequentemente, de trabalhadores mais qualificados. Essas mudanças facilitam o uso da capacidade criativa dos trabalhadores abrindo o espaço para uma nova configuração do próprio trabalho humano. Essa nova tecnologia se radica num trabalho científico quase totalmente concentrado nos países ricos. Esse processo efetivou a integração do conhecer com o agir em todas as esferas da produção, dos transportes e das comunicações e substituiu fortemente o trabalho humano por "máquinas inteligentes". Somos, hoje, sociedades da informação e do conhecimento já que o conhecimento se transformou no recurso mais importante da produção industrial. Sendo assim, a mente humana se fez força produtiva direta.
b) A revolução dos meios de comunicação que extrapolou as fronteiras do tempo e do espaço, tornando a comunicação mundial instantânea, e ampliou, para todo o planeta, a propagação não só de imagens e sons, no contexto de um bombardeio publicitário contínuo, mas de capitais, de tecnologias, de ordens de bolsas e transações, publicidade, informações, armas, drogas, terrorismo, etc.
O capital apoderou-se de um espaço de ação para além do espaço dos estados nacionais por meio de uma onda de desregulamentações, fusões e privatizações, reestruturação empresarial e produtiva. Nesse contexto, dá-se uma disseminação de empresas transnacionais. Essas empresas aumentaram a produção e a riqueza mundiais com distribuição desigual de seus resultados, deterioraram os ecossistemas, desperdiçando matéria-prima e energia, destruindo a biodiversidade, degradando os solos e as águas, realidades que hoje já ameaçam entravar todo o sistema.
Esses processos engrandeceram a capacidade produtiva de tal modo que a satisfação das necessidades, em princípio, poderia ser alcançada com um dispêndio muito menor de trabalho e de energia. No entanto, os ganhos, provenientes dessa produtividade, são apropriados pelos donos e gestores do capital, acelerando, consequentemente, a concentração de renda e a competição predatória, no contexto de um crescimento sem emprego ou com empregos parciais e precários.