Na nova ordem global, o Brasil aposta na estratégia mais pragmática: negociar com todos e reduzir dependências. Essa postura se consolida como prova de uma diplomacia neutra. O caso mais didático foi com Donald Trump: em 2025, os Estados Unidos impuseram sobretaxas que chegaram a 50% sobre parte das exportações brasileiras. Brasília evitou bravatas e respondeu como um bom player capitalista: ampliou rotas e diversificou mercados.
O pano de fundo é a Doutrina Monroe ("América para os americanos") repaginada. Washington se reafirma como potência no hemisfério sul. A mensagem ficou clara com a captura de Nicolás Maduro, em Caracas (Venezuela), em 3 de janeiro de 2026 — um recado geopolítico à China e à Rússia para "ficarem longe" das Américas. Resta a dúvida: ainda é possível esse afastamento?
A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras em 2025, concentrando cerca de 30% do total, algo próximo de US$ 100 bilhões. Os Estados Unidos seguem como segundo mercado, mas as vendas recuaram 6,6% e fecharam em US$ 37,7 bilhões. A Europa entra, agora, como terceiro receptáculo. Em 9 de janeiro, o Conselho da União Europeia aprovou a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, confirmando o que já é evidente: o mundo precisa do Brasil.
Ainda assim, o país-continente tenta evitar a derrocada em suas questões internas, que entram em ebulição com frequência. Em um mundo tensionado, o Brasil se torna peça-chave justamente por conseguir negociar com todas as zonas.
A arbitragem geopolítica apita: enquanto potências, guiadas por líderes temperamentais, disputam territórios em fronteiras fictícias e debatem ideologias retrógradas num jogo obsoleto de 1945, juiz e atacante vestem a mesma camisa 10: os Estados Unidos. O Brasil, em ascensão como um "Pelé", ocupa o meio de campo global. Entrou na primeira divisão sem aquecimento, com o mundo assistindo e a torcida brasileira sem perceber que é final de Copa do Mundo.