As eleições nacionais de 2026 prometem fortes emoções. Até que o resultado das urnas seja conhecido, viveremos uma montanha-russa de acontecimentos, notícias e especulações. Jogo delicado entre os humores da opinião pública e a precisão da oferta dos atores políticos, as eleições se definem pela conjugação entre variáveis: umas diretas, outras difusas; umas evidentes, outras nem tanto.
Nos próximos meses, destinarei esta coluna a iluminar algumas variáveis que atuarão sobre o tabuleiro eleitoral. Antes do sobe-e-desce das pesquisas e das articulações por palanques e alianças, inicio destacando três preliminares, mas particularmente desafiadoras, pois transcendem a interferência direta dos candidatos.
A primeira diz respeito aos impactos sobre a América Latina da política externa do governo Donald Trump. Combinando sanções econômicas, pressão militar e deslegitimação diplomática, sua política intervencionista tende a reativar clivagens ideológicas e a enfraquecer soberanias nacionais em favor dos interesses norte-americanos. Após intervir em pleitos em Honduras, Argentina e Chile e desestabilizar regimes na Colômbia e na Venezuela, é pouco crível que Trump se esquive de influenciar as eleições no Brasil, maior potência sul-americana.
Parte dessa influência poderá se exercer por meio da segunda variável: a comunicacional. A desregulamentação das redes sociais, somada ao uso intensivo de inteligências artificiais, inaugurou um novo patamar da desinformação. Já não se trata apenas de fake news, mas da industrialização de realidades paralelas: vídeos, vozes e imagens sintéticas capazes de induzir ao erro, corroer a confiança pública e fragmentar o espaço comum do debate. Em plataformas hostis à regulação, a disputa eleitoral ocorre em um terreno no qual a noção de verdade encontra seus limites.
Por fim, o plano institucional. Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral blindou o sistema eleitoral e fiscalizou o ambiente competitivo - pagando alto preço nos ataques que se seguiram. Em 2026, o pleito transcorrerá sob a presidência de Kássio Nunes Marques. A régua regulatória de sua gestão afetará expectativas, estratégias de campanha e a credibilidade do jogo democrático.
Essas três dimensões - geopolítica, comunicacional e institucional - formam um dos panos de fundo sobre os quais as eleições de 2026 serão travadas. Ignorá-las é reduzir a disputa a um teatro de personagens, quando o que está em jogo é a arquitetura do conflito político que moldará o país nos próximos anos.