Mais do que um rearranjo na conjuntura de forças políticas, o Ceará necessita de uma inflexão estrutural na forma de conceber e exercer o poder público. A superação das crises contemporâneas não virá da lógica do confronto permanente, alimentada por uma polarização que nada constrói, apenas afasta, implode pontes e corrói a confiança social indispensável ao desenvolvimento. O desafio é a construção (como outrora exposto) de um projeto capaz de unir divergentes em torno de objetivos comuns e duradouros.
A experiência cearense demonstra que avanços consistentes ocorreram quando prevaleceram políticas de Estado, e não agendas de governo. Em sentido oposto, persiste a reprodução de práticas deletérias de clientelismo, conchavos e loteamento de cargos pela manutenção do poder, acompanhadas por uma oposição que se resigna ao papel de enfeite institucional, optando pelas bravatas em detrimento da formulação de projetos estruturantes.
Impõe-se, assim, a construção de um compromisso institucional pelo desenvolvimento do Ceará, fundado na primazia do interesse público. Governo e oposição devem atuar de forma convergente em agendas estruturantes, como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e geração de emprego, fazendo prevalecer a responsabilidade institucional sobre disputas ideológicas. Primeiro, o Ceará delibera unido; depois, cada agremiação exerce legitimamente suas pautas no espaço democrático próprio.
Na obra "Por que as nações fracassam", sociedades prosperam quando edificam instituições inclusivas, distribuem poder e promovem responsabilidade pública; fracassam quando capturadas por instituições extrativistas, moldadas para servir elites. À luz dessa reflexão, o futuro do Ceará exige instituições sólidas, planejamento de longo prazo e um espírito público renovado, anunciando um amanhecer em que os ventos da mudança sopram para inaugurar um novo tempo de esperança, estabilidade e desenvolvimento.