Os preparativos para a inauguração da estátua da Beata Benigna Cardoso, em Santana do Cariri, estão sendo finalizados. A imagem anterior, inaugurada em 2024, recebeu muitas críticas, não tendo sido bem aceita pelos devotos, pois foi considerada muito adulta, distante das feições de uma menina de 13 anos.
Com 26 metros de altura, o novo monumento integra um complexo religioso construído com recursos do Estado. Com cerca de 48 mil metros quadrados e capacidade para acolher cem mil pessoas. Nem mesmo Juazeiro do Norte, um dos maiores centros de romarias populares do país, possui um espaço com tais proporções.
Benigna se soma a outros investimentos recentes do Estado do Ceará nos esforços de incrementar o turismo religioso na região do Cariri, revelando a intenção de consolidar o Cariri como um dos principais polos de turismo e peregrinação do Brasil. Turismo católico, é importante ressaltar e questionar.
Isto porque o Cariri é, de fato, um lugar predominantemente católico. Entretanto, é preciso não desconsiderar que a região apresenta, desde seus primórdios, uma profusão de outros universos de sentido religiosos. A historiadora Rosilene Melo, em suas pesquisas sobre Juazeiro, por exemplo, nos revela, segundo jornais do início do século XX, a presença de "[...] feiticeiros, macumbeiros, rezadores e benzedores na rua Padre Cícero", localizada no centro da cidade. Por esta mesma senda caminham os versos da poetisa Claudia Rejane Grangeiro: "Ah, Juazeiro, Juazeiro, em cada sala um altar, em cada quintal um terreiro".
O ponto a considerar é que o processo de monumentalização católica do Cariri, que envolve questões e alianças religiosas, políticas, econômicas e patrimoniais, ao mesmo tempo em que visa construir a região como um dos centros mais expressivos da devoção católica no país, finda reforçando a invisibilização de especialmente das religiões de matriz africana e indígena, num esforço de naturalização da catolicidade da região. A pergunta que fica é: cabe ao Estado exercer esse papel?