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Ciro reúne aliados do Nordeste para tentar impulsionar pré-campanha

| PDT | O encontro reunirá Izolda Cela e Roberto Cláudio e ocorre em momento no qual presidenciável não tem conseguido deslanchar nas pesquisas
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CIRO não conseguiu atingir os dois dígitos nas pesquisas (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA CIRO não conseguiu atingir os dois dígitos nas pesquisas

O PDT no Ceará realiza nesta quarta-feira, 15, em Fortaleza, o seminário “O PDT sabe fazer”, com a presença do pré-candidato do partido à Presidência, Ciro Gomes, e demais lideranças da sigla em todo o Nordeste. Nomes que devem disputar as eleições para os governos estaduais da região também têm participação prevista.

Entre eles, a governadora do Ceará, Izolda Cela, e o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, além de deputados estaduais e federais, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e pré-candidatos à deputado federal e estadual. O prefeito da capital cearense, José Sarto e o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, também estão com presença confirmada. 

Havia no início de junho a expectativa deste encontro ser realizado com o nome pedetista para disputar o Palácio Abolição já definido. No entanto, a decisão final sobre quem será o candidato do PDT ao Governo do Estado deve ficar para o fim do mês, segundo o presidente estadual do partido, André Figueiredo.

O encontro ocorre no momento em que Ciro se encontra distante dos 20% nas pesquisas projetadas por Lupi em 2021 para o atual estágio da corrida eleitoral. Apesar de ainda manter amplo apoio na bancada do partido na Câmara, o ex-ministro  encontra-se estagnado nas pesquisas no mesmo momento em que sofre pressão dos que defendem voto útil no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para derrotar Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

Dados da Pesquisa FSB/BTG divulgada na última segunda-feira, 13, mostram que o primeiro lugar está com Lula, que registra 44%, contra 32% de Bolsonaro. Na terceira posição está Ciro, com 9%. 

Segundo o Agregador de Pesquisas O POVO, que leva em conta o compilado de levantamentos de intenção de voto de oito institutos, Ciro tem os mesmos 9%, contra 45% de Lula e 32% de Bolsonaro. 

Mesmo com a saída do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) e do ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), o cenário para o presidenciável do PDT permaneceu praticamente inalterado em relação a levantamentos anteriores. 

No dia 30 de maio, o pré-candidato à Presidência foi convidado especial do lançamento da Escola do Parlamento, vinculada à Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor). O momento simbolizou uma busca maior de Ciro por apoio de sua base eleitoral no Ceará, estado onde a influência de Lula é forte. 

A campanha do ex-ministro enfrenta ainda alguns obstáculos. Até o momento, além de ainda não definir um nome para vice de sua chapa, o pedetista não conseguiu se viabilizar como um candidato de terceira via, como alternativa competitiva a Lula ou a Bolsonaro. A questão vai além devido à dificuldade em fechar alianças nos estados, por exemplo, com o PSB, legenda aliada de Lula que tem Geraldo Alckmin como vice. 

 

FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL, 30.05.2022:  Ciro Gomes, participa de aula magna de inauguração da Escola do Parlamento. Câmara municipal.   (Fotos: Fabio Lima/O POVO)
FORTALEZA, CEARÁ, BRASIL, 30.05.2022: Ciro Gomes, participa de aula magna de inauguração da Escola do Parlamento. Câmara municipal. (Fotos: Fabio Lima/O POVO)

Isolado, Ciro sofre revés e tem palanque ameaçado no Sul

A campanha do ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência, enfrenta cada vez mais obstáculos. Ele tem tido dificuldades para fechar alianças, conseguir vestir o figurino da terceira via e encontrar um vice para sua chapa. Agora, a cúpula nacional do PSB - partido que apoia a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tem Geraldo Alckmin como vice - proibiu o diretório no Rio Grande do Sul de dar palanque a Ciro.

A decisão foi tomada porque o ex-deputado Beto Albuquerque, pré-candidato do PSB ao Palácio Piratini, não só está em rota de colisão com o PT como quer se aliar a Ciro, de quem por pouco não foi vice na eleição de 2018. "O PSB é um partido, não uma coleção de individualidades", reagiu o presidente do PSB, Carlos Siqueira. "Em todo o País, a chapa será Lula e Alckmin. Isso é uma decisão irrevogável do congresso do partido", afirmou ele.

Albuquerque disse não considerar justa a cobrança de um palanque para Lula no Rio Grande do Sul porque o PT mantém o plano de lançar o deputado Edegar Pretto ao Governo do Estado. Afirmou, ainda, que Siqueira não pode vetar o apoio a Ciro. "Quem decide é a direção nacional", resumiu.

Rede

Apesar desse revés, o diretório da Rede no Rio Grande do Sul aderiu à campanha de Ciro. Na semana passada, a ex-senadora Heloísa Helena, uma das principais líderes do partido, disse que estará com o ex-ministro. A Rede compõe a aliança de Lula, mas liberou palanques para Ciro.

Líderes do PDT em Minas Gerais, Maranhão, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte já se aproximam de Lula.

No Ceará, onde Ciro e seu irmão Cid Gomes já foram governadores, também há problemas. Enquanto o ex-ministro não esconde a preferência pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) para a disputa ao governo cearense, o PT quer que a governadora Izolda Cela (PDT) seja a candidata. 

O PT ameaça romper a aliança que governa o Ceará há 16 anos caso Izolda não seja a escolhida. As declarações recentes mais fortes nesse sentido foram dadas pelo ex-governador Camilo Santana (PT) e pelo deputado federal José Guimarães (PT), um dos principais articuladores de Lula no Ceará.

"É governadora, ela está no cargo. Parto do princípio de que ela também tem a prerrogativa de… Se coloque, qualquer um que estivesse no lugar dela, assumindo o Governo do Estado, teria a prerrogativa de ir para uma reeleição", afirmou Camilo na última segunda-feira, 13, em entrevista ao Jornal Alerta Geral, na FM Expresso.

"Se PDT escolher Roberto Cláudio, PT buscará outro caminho", disse Guimarães ao O POVO na última semana.

Slogan

Ciro lançou na última segunda-feira, 13, um novo slogan, que diz "Vote em um e se livre dos dois", numa referência a Lula e ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele atribuiu as dificuldades na campanha à "indigência" dos levantamentos de intenção de voto, que, na sua avaliação, provoca uma situação artificial.

Dados da FSB Pesquisa divulgados ontem mostraram Ciro com 9% das preferências; Lula, com 44% e Bolsonaro, 32%. O ex-ministro disse que busca o apoio dos partidos de centro. "Não deserdei ainda (...) porque sou brasileiro e não desisto nunca", disse ele, em entrevista ao site G1.

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