O Nordeste é, há duas décadas, o coração do poder político da esquerda no Brasil. A região, tradicionalmente conservadora, passou por mudança política a partir do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2006, governadores de partidos de esquerda foram eleitos nos três maiores estados da região: Bahia, Ceará e Pernambuco. Nos dois primeiros, os mesmos grupos políticos estão no poder desde então. Em Pernambuco, o PSB perdeu o poder na eleição de 2022, mas é favorito para retornar. Entretanto, o cenário para o campo progressista na região é o mais desafiador em alguns anos.
Atualmente, todos os quatro governadores do PT são do Nordeste: Jerônimo Rodrigues na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará, Rafael Fonteles no Piauí e Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte.
Além disso, o governador da Paraíba, João Azevedo, é do PSB, que tem apenas mais um governador no Brasil — Renato Casagrande, no Espírito Santo. O governador do Maranhão, Carlos Brandão Júnior, foi eleito pelo PSB, mas deixou o partido em meio a divisões na base, mas segue na base de Lula e quer o apoio do presidente.
O cenário considerado hoje mais tranquilo é no Piauí, onde Rafael Fonteles é franco favorito. Nos outros estados, há incertezas políticas. Devido ao peso estratégico da região para a esquerda, inclusive para a votação nacional de Lula na campanha de reeleição, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), é cotado para assumir a coordenação dos palanques petistas na região.
Na Bahia e no Ceará, a dificuldade se apresenta pela oposição liderada por candidatos competitivos, representantes de famílias com muita tradição: Magalhães em um caso, Ferreira Gomes em outro.
Nos demais estados, há circunstâncias mais intrincadas, que envolvem conflitos entre aliados, acusação de espionagem e até possibilidade de eleição indireta antes do pleito de outubro.
Líder do governo na Câmara dos Deputados, o cearense José Guimarães aposta na popularidade do presidente da República na região para compensar os problemas estaduais. "O prestígio de Lula no Nordeste, na minha opinião, supre essas momentâneas dificuldades que têm os nossos candidatos a governadores", disse à CNN Brasil.
Além da mera questão do poder estadual, está em jogo o equilíbrio do poder regional com consequências para a disputa no plano nacional.
Ceará
Cotado para coordenar as campanhas do PT no Nordeste, Camilo Santana dá particular atenção ao Ceará. O governador Elmano de Freitas deve buscar a reeleição e a oposição articula a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB). Com saída do MEC confirmada para ocorrer até abril, o próprio Camilo é cogitado como candidato caso a eleição se prenuncie difícil