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Para 2022 ser possível, 2020 é fundamental
Reportagem

Para 2022 ser possível, 2020 é fundamental

| SEGUNDO PESQUISADOR | Especialista ressalta que a derrota da esquerda em 2018 se iniciou em 2016
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Tipo Notícia

O professor universitário e cientista político Cleyton Monte avalia que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) leva a cabo uma atuação política nunca antes vista na história democrática brasileira. É impensável, ele diz, pensar em políticas públicas sem o trabalho conjunto de União, estados e municípios.

Monte diz que há, contudo, certa racionalidade nos passos de Bolsonaro. Segundo ele, eleições municipais são bem diferentes das gerais, embora conectadas. Conforme o professor, apesar de a eleição do ano passado ser recorrentemente citada, a esquerda começou a ser derrotada em 2016.

Fernando Haddad (PT), por exemplo, perdeu a reeleição à Prefeitura de São Paulo em primeiro turno, contra projeto privatizador de João Doria (PSDB), hoje governador daquele estado.

"Então, o que é que o Bolsonaro pensa? Para conseguir chance de reeleição em 2022, 2020 é fundamental. Ele quer sinalizar para os prefeitos para construir aliados."

Monte ressalta que o PSL saiu de nanico para atingir, atualmente, grandes proporções. "Se a gente pegar fundo partidário e eleitoral, vai ter muito dinheiro. Seja se candidatando ou apoiando, a figura PSL vai ser fundamental no ano que vem."

O presidente nacional da legenda, Luciano Bivar, já externou à imprensa que a intenção do partido é de lançar campeões de votos nas eleições passadas nas cidades com mais de 100 mil habitantes. O deputado estadual André Fernandes (PSL), que acompanhou Bolsonaro em última agenda no Nordeste, na Parnaíba, entra em tese na cena.

"Acho que eles fazem cálculo político. (Fernandes) Saiu vitorioso, mas se queimou politicamente com uma denúncia furada. Esse ato dele queimou série de possibilidades de aliança (em torno dele). É nome difícil de ser viabilizado."

Além disso, o parlamentar, ao lado do também estadual Delegado Cavalcante (PSL), vivem guerra interna ainda sem desfecho com o presidente da sigla, deputado federal Heitor Freire.Ainda de acordo com a percepção do professor, a pauta de Bolsonaro distancia detentores de fortes cacifes políticos à direita, como Capitão Wagner. O deputado federal do Pros, ele diz, não tem medido esforços para se descolar da agenda bolsonarista, convergindo apenas quando a pauta não lhe deixe mal com o próprio eleitorado.

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