Trinta anos atrás, em julho de 1990, o então governador Tasso Jereissati (PSDB) lançava o projeto Sanear. No bairro Conjunto Ceará, um dos maiores de Fortaleza, fez abrir canal e urbanizá-lo, de modo a garantir o escoamento das águas pluviais.
Três décadas depois, o vendedor Silvestre Nunes, 53, se queixa das constantes cheias do canal da avenida C. "Aqui precisa de pouca chuva pra transbordar. Vem esgoto dos outros bairros por onde o rio (Maranguapinho) passa e deixa tudo fedendo, invade as casas", declara o morador, sentado à beira do canal. A última vez foi em março deste ano.
Relator do projeto de lei que criou o marco do saneamento no Brasil, o senador Tasso Jereissati (PSDB) aposta que o novo regime sanitário mudará essa realidade na Capital e no Interior. "Estamos lançando as condições para melhorar substancialmente a vida das pessoas", frisa.
Questionado sobre como áreas periféricas de Fortaleza ou cidades mais pobres se tornarão atrativas para a iniciativa privada, o parlamentar afirma que, "dentro de cada grupo de municípios, haverá geradores intensivos de caixa e outros mais fracos".
"Com esse arranjo", prossegue o tucano, "nenhum município deixará de ser beneficiado por investimentos e pela universalização da prestação de serviços de saneamento".
Ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Ceará, a cargo de quem estava a supervisão da rede de esgotamento nos anos de 1990, Adolfo Marinho diz que "é viável a meta (de universalização até 2033), mas não é algo que vai acontecer de maneira espontânea", apenas porque o sistema é concedido às empresas privadas.
Para o engenheiro civil, é preciso que haja mudanças profundas na forma de administrar a rede. "Se não houver modernização, qualquer dinheiro que se ponha é insuficiente, seja do Estado ou seja privado", adverte.
"