Reportagem

Senador Flávio Bolsonaro deve ter mais presença na CPI

|Senado|Filho "01" do presidente, Flávio Bolsonaro passou a suplente da CPI da Covid com a ida do senador Ciro Nogueira para assumir a Casa Civil
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Antes presente apenas nos depoimentos mais decisivos para o governo Bolsonaro na CPI, como o do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC-RJ), com quem bateu boca, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) deve estar mais atuante na comissão a partir de agora.

Não membro que acompanhava as sessões esporadicamente, o filho "01" do chefe do Executivo passou à suplência do colegiado com a ida do titular Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil do governo.

Nesse movimento, que tenta reorganizar a base governista no Legislativo de olho na sobrevivência do mandatário, o senador Luís Carlos Heinze (PP-RS) herdou a cadeira cativa do correligionário.

Como suplente, Flavio terá mais proximidade dos trâmites da CPI, como análise de dados colhidos durante as oitivas e pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário dos investigados.

A correlação de forças no colegiado, porém, permanece a mesma: quatro senadores alinhados com o presidente e outros sete independentes ou francamente de oposição.

Sobre o papel de Flávio na comissão, o cientista político Cleyton Monte, da UFC, avalia que o senador continuará "a ser aquela peça utilizada para confrontar, da forma mais rasteira, o relator da CPI".

Nas vezes em que participou das sessões, o filho do presidente concentrou críticas no senador Renan Calheiros (MDB-AL), a cargo de quem está a relatoria das investigações e cuja posição no colegiado é de oposição contundente a Bolsonaro.

Segundo Monte, Flávio deve explorar ainda mais essa estratégia, agora como membro da CPI efetivo, mesmo na suplência. "Ele vai estar disponível e disposto para fazer esse circo pegar fogo", projeta.

Pesquisadora do Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e de Opinião Pública da Iesp-Uerj, Carolina Botelho também aposta em que o "01", sobretudo num momento em que o pai se mostra mais frágil, como na live da última quinta-feira, vai buscar inviabilizar os debates na CPI.

"Flávio vai tumultuar muito mais", analisa, "primeiro porque vai ter mais espaço para fazer isso, segundo porque, como as evidências de crimes vão estar maiores, vai tentar se defender mais".

Vitor Sandes, cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), assinala que, "ainda que Flávio Bolsonaro tenha sido uma figura frequente nos debates da CPI, como suplente, ele passa a ter mais acesso aos trabalhos internos, podendo, em caso de vacância, passar a ser titular da comissão".

"Ele passa a ter mais respaldo também para questionar os depoentes e a pressionar os senadores oposicionistas e o relator, que vem tecendo críticas ao governo do seu pai, Jair Bolsonaro", conclui.

Emanuel Freitas, cientista político e professor da Uece, minimiza a presença do senador na comissão. Para ele, "Flávio vai fazer o que já tinha feito", sem muito resultado, já que a CPI vem causando grande desgaste à imagem do presidente.

Logo, caso deseje interromper essa queda de popularidade e atenuar as críticas a Bolsonaro, talvez a estratégia mais adequada não seja a da confrontação aberta, como vinha fazendo o senador do Patriota, chegando a quase coagir depoentes, conforme criticou o relator da comissão. (Henrique Araújo)

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