Um adolescente de 15 anos morreu afogado após pular no canal São Francisco, localizado no bairro Granja Portugal, em Fortaleza, e ficar preso na vegetação. Caso aconteceu na manhã dessa terça-feira, 27, dia em que a Cidade registrou precipitação de 125 milímetros (mm), a maior observada no Ceará durante o período.
Conforme relatos de moradores da região, a vítima, identificada como Antônio Rômulo Sousa, estava com dois outros jovens na água, em trecho atravessado pelo rio Maranguapinho. O grupo brincava sobre um isopor quando a correnteza trouxe lixo e mato para cima do objeto, obrigando-os a pularem.
No mergulho, o adolescente acabou sendo levado pelo fluxo e ficou preso aos aguapés, não conseguindo retornar mais para a superfície. Ainda pela manhã moradores da região começaram a se mobilizar para encontrar a vítima, ao passo em que equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE) realizavam buscas. A comunidade iniciou uma força-tarefa, com dezenas de pessoas em motocicletas formando um comboio para acompanhar o curso das águas, que seguem em direção ao canal do Conjunto Ceará.
A pé, voluntários transitavam em meio às ruas alagadas tentando desentupir bueiros, enquanto outros grupos removiam vegetação e lixo das margens do rio para facilitar a visualização. De acordo com o CBMCE, por volta das 16 horas, o corpo de Rômulo foi encontrado, próximo ao local de desaparecimento.
Quem o encontrou foi João Ferreira, morador que fazia parte das buscas e é amigo da família da vítima. Para O POVO, ele contou que Rômulo foi encontrado com matos enrolados nos pés.
Uma outra moradora que conhece a vítima relatou que os jovens são da Granja Lisboa e que a comunidade está abalada. Outro morador, que pediu anonimato, explicou que é costumeiro jovens brincarem de "surfar" no rio durante as chuvas, ignorando a forte correnteza do Maranguapinho e o alto risco de morte.
A tragédia aconteceu no dia em que Fortaleza registrou a primeira grande chuva deste ano. No geral, entre as 7h de segunda-feira, 26, e as 7h de terça-feira, 27, choveu em 147 dos 184 municípios cearenses, com a Capital registrando a maior precipitação do período, de 125 mm, no posto da Maraponga.
Em seguida aparecem: Bela Cruz (Posto: Bela Cruz): 104; Jijoca de Jericoacoara (Posto: Jijoca de Jericoacoara): 102.0; Granja (Posto: Tiaia de Baixo): 91.0; e Granja (Posto: Parazinho): 90.
Além de ser a maior chuva do Estado, ela foi a segunda maior identificada em um mês de Janeiro na Capital nos últimos dez anos. Volume só é menor ao do dia 15 de janeiro de 2025, quando o Município registrou 132 mm no posto da Defesa Civil, conforme Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Precipitações de ontem causaram transtornos no trânsito e em vias públicas. Segundo a Defesa Civil de Fortaleza (DCFor), das 6h às 18h foram registradas 20 ocorrências, sendo dessas nove alagamentos, cinco riscos de desabamento, três inundações, dois desabamentos e um solapamento (afundamento de solo).
Entre as 18h de segunda e as 18h da terça, o maior acumulado de chuvas registrado pelo órgão foi na Granja Lisboa, com 120,4 mm, seguida por Vila Velha, com 110,4 mm, e Centro, com 97,3 mm.
Nesse último a força da precipitação levou uma árvore a cair sobre um carro, na avenida Heráclito Graça. O veículo, do modelo Fiat Toro prata, estava com dois ocupantes no momento da ocorrência, mas não ficaram feridos. De acordo com a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), agentes do órgão foram ao local para recolher a planta, "controlar o tráfego e prestar apoio aos condutores".
Perto dali, na esquina entre a rua Costa Barros e a av. Rui Barbosa, um outro veículo caiu dentro de um bueiro durante a chuva. O automóvel era ocupado por Pedro Lucas, 24, que dirigia, e por sua mãe, Lúcia Oliveira, 58, ambos residentes de Baturité.
"A minha mãe deu um grito muito alto, ficou com medo [...] Eu já morei aqui [em Fortaleza] por dez anos e é a mesma coisa, a Cidade alaga", diz o advogado. Cinco homens que passavam no momento ajudaram a retirar o carro do buraco, que estava sem tampa. O POVO procurou a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) para saber sobre intervenções, mas, até o fechamento desta matéria, a pasta não retornou.
Na tarde de ontem, o coronel Haroldo Gondim, coordenador da DCFor, cedeu entrevista à rádio O POVO CBN e classificou volume de chuva identificado em Fortaleza como "significativo para um curto espaço de tempo". De acordo com ele, o órgão deve atuar de forma mais preventiva neste ano.
“A gente já inicia 2026 fazendo o mesmo trabalho do ano passado, acompanhando aqueles canais que historicamente causam mais problemas, como os do Dom Lustosa, Bom Jardim e Passaré”, explicou.
Apesar da chuva intensa na Capital, prognóstico divulgado pela Funceme na quarta-feira, 21, indica que nos três primeiros meses da quadra chuvosa no Ceará, entre os meses de fevereiro e abril, há 40% de probabilidade do Estado registrar chuvas abaixo da média.
Colaboraram Jessika Sisnando, Barbará Mirele, Gabriele Félix e Kaio Pimentel
Jijoca de Jericoacoara registra chuvas de 102 mm e alagamentos
O município de Jijoca de Jericoacoara, a 262,83 km de Fortaleza, registrou a segunda maior chuva do Ceará nesta terça-feira, 27. Fortaleza teve o maior acumulado, com 125 milímetros (mm).
Dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontam o volume de 102 mm das 7 horas de segunda-feira, 26, até as 7 horas dessa terça.
A precipitação deixou a rua principal da cidade alagada, com a água arrastando a areia para o mar e fazendo “ondas” no meio da via pública.
Em um vídeo enviado pelo comerciante Lenno Gomes, é possível ver uma pessoa brincando com uma prancha e "surfando" no alagamento.
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“Aqui é tudo areia, a água sai arrastando toda a areia e fica bem ruim de andar, principalmente na hora que a chuva está bem grossa”, afirmou o vendedor.
O prefeito de Jijoca, Leandro Cézar, relatou ao O POVO que a Cidade recebe chuvas sem pausa desde a madrugada, por volta das 3 horas dessa terça-feira.
“Algumas ruas no Centro da Cidade não estão dando vazão devido à questão geográfica. Hoje, a chuva do mês de janeiro veio num único dia. A vila, devido a ser uma área sem pavimentação, também estamos tendo alguns problemas, mas a equipe da Prefeitura está a postos e monitorando os pontos mais críticos”, disse o prefeito.
Leandro afirma que as equipes vão analisar o que pode ser feito para reduzir os estragos.
Hospital Infantil Albert Sabin alaga e espaço de projeto social desaba
O Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), localizado no bairro Vila União, registrou alagamento por volta das 8 horas de ontem, 27. A água invadiu a área da emergência do Hospital, após as fortes chuvas que atingiram Fortaleza.
Vídeos feitos por responsáveis de pacientes mostram acúmulo de água e resíduos no chão da emergência do hospital.
Conforme informações repassadas ao O POVO, a água teria entrado na unidade após o rompimento de um cano. A água também teria invadido os banheiros da unidade. Conforme relatos, o mau cheiro causado pela água suja chegou a incomodar pessoas que estavam no local.
Em nota, o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) informou que o incidente foi causado por um retorno pontual de água em alguns setores da unidade. A situação está em processo de normalização.
Apesar disso, o atendimento aos pacientes ocorre normalmente nessa terça-feira, 27. Equipes de manutenção e limpeza foram acionadas e adotaram medidas para conter o ocorrido.
O hospital esclareceu ainda que os remanejamentos de pacientes realizados seguem os fluxos assistenciais já estabelecidos e fazem parte da rotina da unidade, não estando relacionados a intercorrências graves.
Órgãos competentes foram acionados para a desobstrução das galerias localizadas nas vias do entorno do hospital.
O Projeto 4 Varas, de Fortaleza teve suas atividades suspensas depois que parte da estrutura desabou em decorrência das chuvas dessa terça-feira. Por volta das 8h30min, a palhoça que cobria uma das ocas, do local acabou desabando. Ninguém ficou ferido. Localizado no bairro Barra do Ceará, a entidade presta serviços a mais de 200 famílias.
O local é utilizado para a realização terapias grupais. Na manhã de hoje, um grupo de trabalhadores do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) deveria estar em uma sessão de relaxamento no local por volta das 9 horas. Porém, devido às dificuldades de locomoção causadas pela chuva, não foi possível chegar até a sede do local.
As atividades do projeto estão temporariamente suspensas por tempo indeterminado, informou Antônio Cláudio da Silva, gestor administrativo da instituição.
Outra oca utilizada para terapias individuais também será desativada por estar em uma situação semelhante a que desabou. O gestor, informou que está em contato com a Prefeitura de Fortaleza em busca de recursos para reparos.
Em janeiro de 2025, outra oca do Projeto foi destruída, dessa vez, por um incêndio ocorrido após a virada do ano. O local servia de restaurante para os funcionários e comportava reuniões acima de 60 pessoas.
Em dia de chuva, transporte por aplicativo quase quadruplica preço em Fortaleza
Nessa terça-feira, 27 de janeiro, no dia da primeira chuva intensa do ano em Fortaleza, capital do Ceará, passageiros enfrentam trânsito lento e aumento no preço dos transportes por aplicativos quase quatro vezes mais altos, segundo O POVO apurou.
Conforme balanço parcial da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), choveu 90,8 milímetros (mm) desde as 7 horas de segunda-feira, 26, e 7 horas dessa terça-feira, 27.
E em meio a muita água ou lentidão, seja de carro ou de moto, os valores dos apps subiram consideravelmente, mesmo em trechos de apenas um quilômetro.
Em suma, os usuários relatam elevações de mais de 200% nas tarifas da Uber e 99, lentidão no trânsito, alagamentos e atrasos para chegar ao trabalho.
Para quarta, 28, e quinta, 29, as precipitações tendem a reduzir em relação a esta terça-feira, 27, mesmo assim, há condições favoráveis nos turnos da madrugada e da manhã. Nos demais períodos, céu com poucas nuvens.
O POVO procurou a Uber para explicar sobre os aumentos dos preços abruptamente e a empresa devolveu uma nota explicando a variação nos valores e recomendando a aba sobre variação de preços para consulta dos clientes — disponível no site deles.
"Quando a demanda por viagens, em uma determinada área, é maior do que o número de motoristas parceiros circulando na região naquele momento, o preço se torna dinâmico e o valor da viagem pode se tornar mais caro do que o habitual para aquele mesmo trecho. O preço dinâmico é aplicado para incentivar que mais motoristas se conectem ao aplicativo e assim os usuários tenham um carro sempre que precisar. Quando a oferta sobe novamente, os preços voltam aos valores normalmente praticados. De qualquer forma, o preço dinâmico sempre é informado ao usuário no momento em que a viagem é solicitada", diz a nota.
A 99 também foi consultada, mas não deu retorno, até a publicação desta matéria.
Maiores chuvas (mm)
1- Fortaleza
(Posto: Maraponga):
125
2 - Bela Cruz
(Posto: Bela Cruz):
104
3 - Jijoca de Jericoacoara (Posto: Jijoca de Jericoacoara:
102
4 - Granja
(Posto: Tiaia de Baixo):
91
5 - Granja
(Posto: Parazinho):
90
6 - Moraújo
(Açude Várzea da Volta):
89
7 - Maracanaú (Maracanaú):
85
8 - Iguatu
(Iguatu):
84.5
9 - Cedro
(Ematerce):
83
10 - Lavras da Mangabeira (Posto: Arrojado):
80
11 - Maracanaú
(Posto: Novo Maracanaú):
80
12 - Chaval (Posto: Chaval):
79
13 - São Gonçalo do Amarante
(Posto: Sede):
72
14 - Barroquinha
(Posto: Barroquinha):
70
15 - Independência
(Posto: Cachoeira do fogo):
68
16 - Cedro (Posto: Varzea da Conceição):
67
17 - Bela Cruz
(Posto: Prata):
67
18 - Independência
(Posto: Iapi):
67
19 - Camocim
(Posto: Camocim):
65
20 - Viçosa do Ceará (Posto: Manhoso):
64
21 - Várzea Alegre
(Posto: Várzea Alegre):
62
22 - Itapipoca
(Posto: Arapari):
62
23 - Granja (Posto: Granja):
62
24 - Paracuru
(Posto: Poço doce) :
61.4
25 - Aurora
(Posto: Comunidade Terra Vermelha):
61
26- Granja
(Posto Ibuguaçu):
60
27 - Uruoca
(Posto: Uruoca):
60
28 - Independência
(Posto: Desejo):
60
28 - Tauá
(Posto: Fazenda Pedra Vermelha):
59.8
30 - Fortaleza
(Posto: Fundação Maria Nilva Alves água Fria):
59.6
Fonte: Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme)