Com corridas ao ar livre, atividades aquáticas, parques esportivos e as chamadas areninhas, a tendência do momento no Ceará é se movimentar. O esporte tem se consolidado como uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social, trazendo diversos benefícios e oportunidades, com a realização de eventos e a atração de turistas e investimentos.
Um exemplo desse cenário é que, conforme dados apurados pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva da Universidade Federal do Paraná (Ipie/UFPR), em 21 anos (entre 2002 e 2023), o Ceará investiu cerca de R$ 1,7 bilhão no setor esportivo e no de lazer. Montante que representou 22% de todo o investimento do Nordeste e o colocou como o segundo estado da Região que mais aplicou recursos na área, atrás apenas da Bahia, com R$ 3,5 bilhões.
No escopo estadual, a partir de 2015, o Ceará passou a destinar cerca de 2% do seu orçamento total nesses setores, que abrangem desde esportes de rendimento e alto desempenho, até atividades de desporto comunitário e de lazer. O percentual foi acima da média regional, com um valor, entre 2015 e 2023, de cerca de R$ 550 milhões.
Parte desses investimentos pode ser observada diretamente nos territórios, especialmente por meio da ampliação de equipamentos públicos de esporte e lazer. Uma portaria publicada pelo Ministério do Esporte, no fim de 2025, habilitou 14 municípios cearenses a receber unidades do programa Arenas Brasil, iniciativa vinculada ao Novo PAC Seleções, que busca expandir a oferta de espaços públicos voltados ao esporte, lazer e convivência comunitária.
No Ceará, foram contemplados os municípios de Amontada, Araripe, Beberibe, Cedro, Crato, Granja, Jaguaretama, Massapê, Milhã, Morrinhos, Pindoretama, Poranga, São Gonçalo do Amarante e São Luís do Curu.
Cada unidade segue um padrão arquitetônico definido pelo ministério, com campo de futebol society em gramado sintético e iluminação em LED, quadra de basquete 3×3, pista de caminhada, parque infantil e mobiliário urbano. O investimento estimado gira em torno de R$ 1,5 milhão por arena.
A expectativa, para a Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), é que esses espaços “transformem realidades, contribuindo para a formação de hábitos saudáveis, para o fortalecimento de vínculos comunitários e para a consolidação de uma cultura de esporte e lazer acessível a todos”.
Esses investimentos também se apresentam nos projetos e programas sociais voltados ao incentivo da prática esportiva, que, para a Secretaria do Esporte (Sesporte), geram impactos diretos no desenvolvimento do Estado, transformando o esporte em uma poderosa ferramenta econômica, de saúde preventiva e inclusão social do Ceará.
“Esse aporte reflete uma visão de gestão que prioriza a democratização do acesso e a descentralização de oportunidades, garantindo que o impacto social chegue a cada município e consolidando o Ceará como um modelo de excelência em políticas públicas para o Brasil”, comentou o órgão.
Um deles é a Lei de Incentivo ao Esporte do Estado do Ceará (LIE), cujo objetivo é fomentar projetos de caráter esportivo e paradesportivo e que beneficiou 70 mil pessoas de 17 municípios do Estado em 2025.
Por meio da LIE, empresas e pessoas físicas podem destinar parte do imposto devido para financiar iniciativas esportivas em diferentes níveis, do educacional ao alto rendimento. Ao todo 55 projetos foram desenvolvidos por 42 entidades, com o recurso de R$ 14,5 milhões disponibilizados pela Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE).
Outro projeto desse segmento realizado pelo Estado é o Programa Ceará Atleta, que, na última seleção realizada em 2025, concedeu 6.000 bolsas, de diversas modalidades diferentes, para atletas e paratletas representarem o Ceará.
O auxílio financeiro atua diretamente na permanência do atleta no esporte e garante condições para que os esportistas possam treinar e competir. O público-alvo do programa são pessoas, com no mínimo 10 anos, pertencentes a núcleos familiares em situação de vulnerabilidade social, caracterizada por condições socioeconômicas desfavoráveis.
Nos últimos anos, dessa forma, o investimento esportivo tem ganhado grande relevância nas políticas públicas. Esse cenário, para o coordenador de Esporte do Centro de Formação Olímpica (CFO), João Neto, representa para o Ceará uma forma de ir ao encontro do seu potencial esportivo.
“O Ceará tem uma infraestrutura esportiva, clima e geografia extremamente favoráveis ao desenvolvimento de diversos esportes olímpicos. É preciso investir em programas de formação esportiva, com planejamento e políticas públicas que deem oportunidades desde a infância até o atleta adulto, para que o Ceará tenha todas as condições de se tornar uma potência esportiva do País”, avalia.
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O esporte como caminho e visão de futuro
Aos 17 anos, a estudante Melissa Viana Nunes já possui uma trajetória que mistura vitórias e disciplina. Vice-campeã cearense de vôlei de praia, a jovem atleta representa uma geração que encontra no esporte não apenas um espaço de lazer, mas uma possibilidade concreta de futuro.
A relação dela com a prática esportiva começou cedo e a busca pelo profissionalismo também. Desde pequena, a atividade sempre fez parte da sua rotina, influenciada por amigos e pela própria afinidade com o movimento, treinava vôlei no Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca) do Jangurussu.
O ingresso no Centro de Formação Olímpica (CFO), após ela ser contemplada pela bolsa do Programa Ceará Atleta, do Governo do Ceará, aconteceu por indicação de um amigo que já treinava no local. Até então, Melissa ainda não havia participado de competições oficiais.
"O processo não foi complicado, consegui fazer tudo rapidamente", explica sobre a bolsa. Para manter o benefício, a atleta precisa cumprir exigências como o preenchimento de diários mensais e a divulgação das atividades esportivas nas redes sociais, marcando o programa.
O impacto da bolsa foi direto. "Facilitou muito o meu acesso às competições. Agora, o risco de não estar em um campeonato por conta do financeiro diminuiu", afirma.
Assim, desde que ingressou no CFO, Melissa alcançou uma de suas maiores conquistas: o vice-campeonato cearense de vôlei de praia. O resultado reforçou a confiança dela, que projeta: "Minhas metas são me destacar no cenário nacional e internacional". Melissa segue treinando, competindo e construindo, ponto a ponto, uma carreira que começa a ganhar forma.
Rebaixamento de times cearenses trará perdas ao turismo esportivo
A queda do Ceará e do Fortaleza para a Série B do Campeonato Brasileiro trará impactos diretos ao turismo esportivo da capital cearense. Em dados, no ano de 2025, o Estado recebeu cerca de 3,4 milhões de visitantes, dos quais aproximadamente 237,5 mil vieram motivados especificamente pelos jogos realizados na Arena Castelão. O volume representou cerca de 7% do fluxo turístico total do Ceará e gerou uma receita estimada em R$ 213,8 milhões.
Com o rebaixamento dos clubes locais para a Série B, a projeção da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur-CE) para 2026 aponta uma redução média de 50% no número de visitantes atraídos pelos jogos. A estimativa é que esse montante caia para cerca de 119 mil, o que pode resultar em uma perda direta de aproximadamente R$ 107 milhões em receita.
Para Taiane Righetto, presidente da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel-CE), o impacto desse cenário é imediato, pois "com a queda dos dois times do nosso estado, é inevitável que haja um impacto direto no turismo e, consequentemente, no movimento de bares e restaurantes."
Entretanto, apesar da redução expressiva no segmento do futebol, a Setur-CE pondera que o impacto sobre o fluxo turístico total do Estado tende a ser limitado. "O Estado já possui condições para repor e superar essa demanda por meio de outros segmentos", explica.
A avaliação apresentada, então, é que o Ceará tem investido fortemente na consolidação do turismo esportivo multimodal, com destaque para kitesurfe, surfe, vela, corrida de rua, ciclismo, triathlon e esportes de aventura, além da captação de eventos nacionais e internacionais.
A Setur ainda aposta no fortalecimento de eventos como maratonas, meias-maratonas, campeonatos de vôlei de praia, surfe, artes marciais, ciclismo, rallys off-road e esportes de aventura, além de estratégias para transformar os jogos no Castelão, mesmo na Série B, em produtos turísticos, com pacotes de passagem aérea, hotel e ingresso.
Cucas
Inscrição para a Rede Cuca precisa de RG, CPF, comprovante de endereço, atestado de aptidão física e e-mail válido
Fluxo
Para o segmento de bares e restaurantes, os jogos sempre funcionaram como um grande gerador de fluxo, reunindo torcedores em bares para acompanhar as partidas