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Vida & Arte

Projeto Afro mapeia produção de artistas negras e negros no Brasil ao longo das décadas

Idealizador da plataforma, Deri Andrade participa de live promovida pelo Porto Iracema das Artes nesta quinta-feira, 9, às 16 horas
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Artista visual e tatuadora caririense soupixo é uma das cearenses cuja obra foi mapeada pelo Projeto Afro. Na imagem, obra da série Períodos de tempo variáveis, disponível no Instagram da artista (@_soupixo_)
Maio 2020 (Foto: soupixo / divulgação)
Foto: soupixo / divulgação Artista visual e tatuadora caririense soupixo é uma das cearenses cuja obra foi mapeada pelo Projeto Afro. Na imagem, obra da série Períodos de tempo variáveis, disponível no Instagram da artista (@_soupixo_) Maio 2020

“Nosso olhar, portanto, descoloniza-se quando passamos a conhecer contornos outros da arte brasileira”. A frase é do jornalista e pesquisador Deri Andrade. Alagoano radicado em São Paulo, ele é idealizador e criador do Projeto Afro, plataforma que propõe um mapeamento da produção artística de autoria negra no Brasil. Gestada desde 2017, ela foi lançada há pouco mais de duas semanas, em plena ligação com o contexto no qual a pauta antirracista se tornou uma discussão global e massiva. A plataforma, em constante construção, reúne dados e reflexões sobre artistas de diferentes tempos, técnicas e locais de nascença, propondo, justamente, um olhar para a “arte brasileira da óptica de agentes negros/as/es”.

A pesquisa em arte afro-brasileira empreendida por Deri desenvolveu-se de forma independente até ele chegar à especialização em Cultura, Educação e Relações Étnico-raciais no Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação, da Universidade de São Paulo. Foi neste contexto que a pesquisa se ligou à academia e passou a ser estruturada. Debruçando-se em extensa bibliografia, reuniu informações, dados e agentes artísticos, no que cita como a “primeira etapa” do mapeamento. Há pouco mais de um ano, deu início ao segundo momento: uma chamada pública que visava receber portfólios de artistas cuja produção, como o pesquisador aponta, “ainda não estava presente em livros e exposições” - ressalte-se que, como Deri destaca, o mapeamento segue em curso e novos portfólios de artistas têm sido recebidos pela plataforma.

“Estudar esses portfólios foi um processo rico de amadurecimento do mapeamento e da própria pesquisa, principalmente por perceber ainda mais o quão vasta é a produção contemporânea no país de artistas negros/as/es, muitos deles recém-formados ou que desenvolvem pesquisas independentes em diversos aspectos, com temas que estão além do cunho racial/social”, frisa Deri. A plataforma, porém, não se furta em vincular e provocar fricção entre as produções de tempos distintos. Do Ceará, por exemplo, há do pintor Antônio Bandeira (1922-1967) à artista visual e tatuadora caririense soupixo.

“A produção atual de autoria negra não deve estar desvinculada daquela do século XX, XIX. Ao incluir, lado a lado, artistas contemporâneos e aqueles pré-modernistas e modernistas, o Projeto Afro cumpre com sua missão de apresentar a multiplicidade, seus inter-relacionamentos e a abrangência da produção artística de autoria negra no Brasil”, desenvolve o pesquisador - é daí que os “contornos outros” passam a ser conhecidos e o olhar descoloniza-se. Além da reunião de informações acerca de cada artista que consta no mapeamento, a plataforma também reúne produções acadêmicas, entrevistas, indicações de debates, editais, cursos e outros conteúdos, propondo um “cruzamento de dados (que) enriquece o conteúdo”.

Na avaliação do pesquisador, os movimentos e discussões atuais sobre questões raciais são “o reflexo de anos da luta antirracista por parte de movimentos negros. “A plataforma foi realizada enquanto espaço de troca, de descoberta e de ressignificação de símbolos, normas e perspectiva, quando passamos a olhar a arte brasileira da óptica de agentes negros/as/es”, estabelece. Citando diferentes iniciativas anteriores ao Projeto Afro que visavam refletir sobre discussão e difusão der arte afro-brasileira, Deri conecta: “As ações são reflexo da articulação de forças para a derrocada do racismo estrutural presente historicamente na construção desse país. O Projeto Afro, da mesma forma, tem o objetivo de ser parte integrante da retomada dessas vozes historicamente oprimidas e silenciadas, contra os epistemicídios, e pela expansão do nosso referencial”, atesta.

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Live com Deri Andrade no projeto Entre Telas - Fotopoéticas

Quando: amanhã, 9, às 16 horas
Onde: @portoiracemadasartes
Acesse a plataforma em www.projetoafro.com

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