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Arth3mis: conheça a artista cearense que une memórias e construções sociais
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Vida & Arte

Arth3mis: conheça a artista cearense que une memórias e construções sociais

Relacionando o corpo e o espaço, a artista Arth3mis reúne memórias e construções sociais às suas criações
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Obra
Foto: Arth3mis/Divulgação Obra "parlamentares na defesa do povo", da artista visual cearense Arth3mis

Quando o fazer artístico ultrapassa as fronteiras do próprio ser, partilhar as percepções concebidas das andanças, conversas e pontos de vista torna-se um compromisso para com os seus. Na trajetória trilhada em meados de 2018, Arth3mis se viu no centro do palco devido ao ingresso no teatro, mas encantou-se com "outros processos de construção da cena do que colocar meu corpo nesta posição".

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No processo atravessado por referências sociais e territoriais, a artista cearense leva para suas obras - essas que passeiam entre a arte visual, ilustração e fotografia - temáticas que abordam cidade, democracia, corpo e memória. "Falo sobre o meu contexto, o lugar onde vivo, as experiências que partilho neste território. O meu centro é aqui".

Obra "Ciadi", da artista visual cearense Arth3mis (Foto: Arth3mis/Divulgação)
Foto: Arth3mis/Divulgação Obra "Ciadi", da artista visual cearense Arth3mis

Hoje, Arth3mis se debruça para além das criações e projeta suas experiências e conhecimentos para o espaço fora da vista, onde atua no incentivo, curadoria e gestão de ambientes culturais, promovendo a descentralização da produção artística.

Com licenciatura em Artes Visuais pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), a cearense é gestora da CasAvoa Museu Comunitário, espaço cultural que gerencia as atividades da Biblioteca Livro Livre Curió, e produtora-executiva e curadora do Acervo e Museu Uma Filomena (Amuf), no Santa Filomena.

Seja na elaboração de obras ou no fomento ao desenvolvimento cultural pela periferia, Arth3mis revela suas vivências, compartilhando-as nos caminhos percorridos como indivíduo e em coletivo.

O POVO - Quais são os desafios de fazer arte, com foco na arte visual, em Fortaleza?

Arth3mis - Repito para mim mesma que, toda vez que saio de Fortaleza, valorizo cada vez mais o que temos construído no Ceará, em termos de políticas públicas de cultura. Obviamente, existem muitos pontos a se melhorar, mas, ainda assim, conseguimos ter uma base na forma como articulamos projetos culturais por aqui. Agora, no que diz respeito a essa linguagem em específico, sinto falta de uma coletividade e organização enquanto classe trabalhadora. Ainda é muito forte o estigma de que artista visual trabalha sozinho, o incentivo a adentrar uma lógica mercadológica de galerias - que não é um circuito tão presente na cidade - acaba provocando esse sentimento de que é preciso sair daqui para conseguir ter uma trajetória de inserção e ter-se alguma estabilidade enquanto artista, que é algo que não acredito. Por isso, muito da minha poética, eu não desassocio da atuação enquanto produtora e gestora.

O POVO - O que você busca levar para as suas artes e de que maneira você pode descrever as suas criações?

Arth3mis - Tenho investigado formas de se pensar o arquivo dentro das artes por meio do "sonho", enquanto um mecanismo de fabulação do sensível e do invisível, tensionando sobre o lugar da representação a partir do que se compreende por racialização no Brasil, território e memória, e o corpo brincante presente em manifestações populares.

O POVO - De onde veio "Arth3mis"? Qual é a história do seu nome?

Arth3mis - Tem uma origem banal [risos], surgiu de uma personagem de um livro que gostava muito na minha adolescência e, certo dia, decidi mudar o nome de usuário no perfil da rede social. Com o tempo, as pessoas me chamavam somente por esse nome e fui deixando, até que, quando me vi artista, já utilizava este vulgo. Mas, alguns anos depois, comecei a me apropriar desse nome, dos seus significados e das coincidências que surgiram por causa dele. Após um tempo, me senti confortável em omitir meu nome de batismo, tem algo de excitante em não deixar-se revelar por completo.

O POVO - Você possui uma relação de vivência com os bairros Curió, Jangurussu e Santa Filomena. Como você busca conectar as questões pessoais que atravessam o campo social e as realizações em espaços físicos diferentes para as suas produções?

Arth3mis - Por meio da CasAvoa, no Curió, tenho desenvolvido ações acerca da memória territorial, a partir da prática em museologia social, com ações junto ao museu, o que acaba se estendendo para o Santa Filomena, parceria que surgiu por conta do trabalho de Leo Silva, morador, fotógrafo, cineasta do bairro. Minha relação com esse outro território aconteceu por conta das minhas relações de trabalho com Leo, e acabei identificando pontos em comum entre as comunidades que, no fim, são semelhantes a muitos bairros que têm processos de ocupação parecidos: por meio de lutas e movimentos populares por moradia.

O POVO - Você atua em variados eixos, da arte visual, gravura, ilustração, audiovisual, além da gestão e produção artística. O que todas essas versões de você enquanto profissional revelam da Arth3mis enquanto artista?

Arth3mis - Enquanto artista, me debruço em técnicas como gravura, bordado, fotografia etc. Não desassocio o meu fazer enquanto artista da minha atuação enquanto produtora e gestora, entendo que uma coisa movimenta a outra. A técnica é útil e se manifesta por mim de formas variadas, mas estar ativa socialmente, movimentando cultura, despertando questionamentos, ajudando a construir espaços para fruição artística é algo que sustenta muito do que entendo do que é ser artista, e de como assim me faço.

O POVO - Como você deseja e planeja se desenvolver futuramente na arte?

Arth3mis - O futuro é mistério. Existem caminhos que têm se desenhado para os meus pés, coisas que vislumbro, mas a resposta mais sincera seria "não sei" [risos]. Desejo me profissionalizar cada vez mais na área de gestão e produção cultural, mas também continuar desenvolvendo pesquisas artísticas por meio de residências e intercâmbios, para além dos que já participei.

 

 

Acompanhe a artista

Instagram Arth3mis:

@arth3mis

Museu Comunitário e Espaço Cultural CasAvoa:

@casavoamuseu

Museu Uma Filomena:

@umafilomena

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