
Vinte dos principais produtos da cesta de consumo dos fortalezenses mantêm uma sequência de pelo menos dois meses de queda de preços. O movimento é liderado pelo valor cobrado pelo quilo do arroz nos supermercados, que há oito meses retrai.
Os dados fazem parte da pesquisa do Departamento Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon Fortaleza). A partir do levantamento, o projeto Preço Comparado, realizado pelo Procon Fortaleza em parceria com O POVO, revela as principais sequências de queda.
Além do pacote de 1 kg de arroz branco tipo 1, da marca Camil, outros produtos que mantêm sequência de preços em queda são o tomate (1 kg), com retração de preços há cinco meses, e o macarrão espaguete sêmola (400 g), da marca Fortaleza, em queda há quatro meses.
Neste recorte de produtos com maior sequência de quedas de preço ao longo das pesquisas realizadas nos últimos meses, destaque para produtos básicos da cesta básica, como arroz, macarrão, farinha de milho, fécula de mandioca — ambos em queda há três meses.

Há ainda os casos do café em pó (250 g) da marca Santa Clara, além de carne bovina - lombo com osso (1 kg), leite integral (1 L), da marca Betânia, e feijão carioca (1 kg), da marca Kicaldo — todos com queda de preços há dois meses.
O presidente do Procon Fortaleza, Wellington Sabóia, destaca que toda redução de preços é bem-vinda para os consumidores, "principalmente no início do ano, quando as despesas fixas, como impostos e tributos, material escolar e matrículas, se somam ao orçamento doméstico".
Wellington pontua que não dá para garantir a permanência das quedas de preços nos itens, sendo necessário aos consumidores contínua vigilância nas variações de preços.
"É preciso ficar em alerta para mudanças sazonais, como as chuvas entre fevereiro e abril, que podem impactar na alta ou redução de preço em frutas e verduras. Uma boa dica para economizar é consumir produtos da estação", afirma.
Se a lista de produtos com quedas de preços por seguidos meses é longa, o caso contrário, de altas de preços por contínuos meses, não.
Os principais destaques negativos neste recorte são os preços do sabonete (85 g), da marca Lux, em alta há 11 meses, do refrigerante (2 L), da marca Guaraná Antarctica, há sete meses subindo, além do caso do óleo de soja (900 ml), da marca Soya, que sobe de preço há cinco meses.
Para o economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE) Wandemberg Almeida, o movimento de desinflação dos preços dos alimentos na pesquisa do Procon Fortaleza está de acordo com o índice oficial da inflação nacional, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que nos últimos 12 meses desacelerou em 4,5%.
Wandemberg destaca que esse processo de barateamento de preços dá um alívio para a renda das famílias e permite uma sobra de recursos para mais consumo nos supermercados ou em outras áreas do varejo e serviços.
"Melhoramos as condições de produção, o estoque está maior e adquirimos uma maior estabilidade logística (o que melhorou do lado da oferta). Não passamos por crise no decorrer do ano — e sabemos como isso impacta na formação no preço final ao consumidor. Então, melhorou os preços desses produtos altamente sensíveis, beneficiando principalmente para as famílias de baixa renda", aponta o economista. (Levantamento de dados Ayuri Reis / Central de Dados OPOVO+)

Considerando os últimos 12 meses de pesquisas de preços do projeto Preço Comparado, do Procon Fortaleza com O POVO, as principais quedas de valores de produtos na Capital chegam a 39,4%.
Essa retração se refere ao custo da laranja pêra (1 kg). Neste mesmo curso, estão os preços do abacate (1 kg), que chegou a janeiro com valor 31,1% menor em relação ao igual período do ano passado, e a cenoura (1 kg), que retraiu 31%.
Por outro lado, os produtos que apresentaram as principais altas no período de 12 meses foram a manga tipo Tommy (1 kg), que saltou 63,8% no período. O produto é seguido pelo mamão formosa (1 kg), que está em média 40,4% mais caro do que estava no ano passado.
Outra alta sensível é observada no custo de 1 kg de batata-doce, com aumento de 39,1% nas gôndolas dos supermercados analisados pelo Procon Fortaleza.
Em meio às variações no último ano, segue fazendo a diferença para o consumidor a escolha do local de compra. Segundo os dados do levantamento, neste mês de janeiro, a escolha do supermercado para a feira pode afetar em até 595% o preço de um mesmo produto.
Em média, a diferença entre ofertas de um mesmo produto foi de 90% do estabelecimento mais caro para o mais barato.
O caso mais notório foi do sal refinado (1 kg) — a marca com o menor valor disponível. O produto custou, em média, R$ 1,69 neste mês de janeiro. No entanto, a variação de preço entre diferentes supermercados variou de R$ 0,99 (no Hipermarket Supermercado Mondubim e no Super Baratão) até R$ 6,89 (no Pão de Açúcar).
O presidente do Procon Fortaleza, Wellington Sabóia, pontua que a pesquisa serve para estimular o consumidor a criar o hábito de pesquisar, mas que também dá ao consumidor informações para cobrar direitos em caso de cobranças ou reajustes abusivos.
Citando o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor, o presidente destaca que a prática abusiva de elevação de preços sem justificativa pode resultar em diversas penalidades, como multa — até R$ 18,8 milhões —, suspensão das atividades e, ainda/até, a interdição do local.
Wellington pontua que uma série de fatores podem explicar a variação de preços entre estabelecimentos, mas estimula os consumidores a serem atentos à questão.
"Para identificar abusividade nos preços teríamos que comparar o mesmo produto no mesmo estabelecimento, para identificar alguma elevação repentina e sem justificativa. Por isso, os consumidores devem guardar notas fiscais e recibos de pagamento para eventuais reclamações", diz, ainda acrescentando que denúncias podem ser feitas pela Central de Atendimento ao Consumidor, pelo número 151.

A cesta com os 20 itens mais básicos para o consumo das famílias custa entre R$ 430,27 e R$ 577,39 na Capital. Os dados fazem parte de levantamento do Procon Fortaleza.
Segundo a pesquisa, realizada neste mês de janeiro, no âmbito do projeto Preço Comparado, em parceria com O POVO, a diferença de preços entre o estabelecimento mais o preço mais em conta e o mais caro chegou a R$ 147,12, o equivalente à cerca de 25%.
Foram analisados 36 supermercados de Fortaleza. O que apresentou o melhor resultado foi o Frangolândia. No entanto, o estabelecimento contava com 18 dos 20 itens analisados pela pesquisa.
Já o supermercado com os preços mais caros foi o Super Telefrango, no bairro Passaré. Da mesma forma, o estabelecimento contava com 18 dos 20 produtos analisados neste recorte da pesquisa.
Segundo o Procon Fortaleza, em nenhum dos estabelecimentos foram encontrados todos os produtos da cesta básica de consumo, que inclui produtos como arroz, feijão, macarrão, leite e ovo, por exemplo.

O projeto Preço Comparado - Supermercados é uma parceria entre O POVO e o Procon Fortaleza. Mensalmente, são analisados 100 itens de 36 supermercados da Capital e gerado um conteúdo exclusivo para os leitores do OP+