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Jornalista formado na Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi repórter do Vida&Arte, redator de Primeira Página e, desde 2018, é editor de Esportes. Trabalhou na cobertura das copas do Mundo (2014) e das Confederações (2013), e organizou a de 2018. Assinou coluna sobre cultura pop no Buchicho, sobre cinema no Vida&Arte, assumiu espaço sobre diversidade sexual no mesmo caderno e, agora, escreve sobre a inserção de minorias (com enfoque na população LGBTQ+) no meio esportivo

André Bloc esportes

Diferente, mas nem tanto: sexismo demarca a homofobia com mulheres LGBT nos esportes

Não apenas a homossexualidade masculina é tabu nos esportes. Entre as atletas, o estigma machista se mistura no preconceito contra jogadoras, seja qual for a orientação sexual delas
Tipo Opinião
Em janeiro deste ano, a craque Marta compartilhou a notícia do noivado dela com a zagueira norte-americana Toni Deion para mais de 2 milhões de seguidores (Foto: Reprodução / Instagram)
Foto: Reprodução / Instagram Em janeiro deste ano, a craque Marta compartilhou a notícia do noivado dela com a zagueira norte-americana Toni Deion para mais de 2 milhões de seguidores

Traço do machismo na nossa sociedade, quando fala-se em atleta, a resposta é um homem. Quando o assunto é homossexualidade, a resposta imediata é a ausência de assumidos nos esportes. Mas eles existem aos montes — para quem se dá ao trabalho de olhar modalidades femininas.

O exemplo mais cristalino é a maior atleta da história do futebol, Marta. Hoje, a seis vezes melhor do mundo assume o próprio amor, levanta a bandeira contra desigualdades, usa a imensidão da sua voz em prol da causa. Cristiane é outra ativista no futebol, como tantas colegas de seleção feminina de futebol. No vôlei, o número de jogadoras homossexuais e bissexuais não cabem numa mão só. 

A regra, porém, mudou recentemente. O estigma da "masculinidade" no esporte sempre foi uma sombra sobre jogadoras. É quase como se fosse assumido que, por serem atletas, elas são necessariamente lésbicas ou bissexuais. Existe até um oba-oba em cima do fato de a lateral Tamires ser mãe, que talvez se justifique porque o modelo de vida dela, mais dentro da conformidade imposta pela sociedade, pode ajudar a quebrar alguns preconceitos.

Dois nomes da primeira geração de jogadoras da seleção brasileira feminina me vêm à mente quando falo desse estigma da masculinidade, porém: Sissi e Michael Jackson. Talvez as duas atletas mais injustiçadas do futebol nacional, elas eram criticadas por qualquer escolha estética que fizessem. Chegou-se ao cúmulo de a primeira ser perseguida por raspar o cabelo para comemorar uma conquista com a Amarelinha. 

A raiz disso é o machismo. E isso, sejam elas LGBT ou não, em muito se mistura com a homofobia, com o estereótipo de maria-homem, com uma tentativa de diminuir — ou excluir para a caixinha dos "diferentes". O mesmo vale para o volante Richarlyson, no futebol masculino, que, seja ou não homossexual encarou a sanha do preconceito a carreira inteira por não se encaixar num ideal imposto de masculinidade.

O esporte é cruel para atletas homossexuais, sejam homens ou mulheres. Mas, no caso delas, a crueldade vem independentemente da orientação sexual. Salários baixos, preconceito, invisibilização. Eu mesmo, que me pretendo equilibrado, só usei esse espaço para falar de jogadoras agora, na sexta coluna. Vivo dentro de privilégios também.

Então, nesta semana, eu agradeço a Marta e Cristiane. Falo de Carol Gattaz, de Carol, de Fabi — e mando um abraço para Maique e Douglas Souza, de quem falarei mais em breve. Cito ainda Rafaela Silva (judô), a leoa Amanda Nunes (MMA), a cearense Larissa França (vôlei de praia), Lais Souza (ginástica), Julia Vasconcelos (taekwondo), Isadora Cerullo (rúgby), Mayssa Pessoa (handebol) e muitas, muitas, muitas outras mulheres de coragem. E sem esquecer de Tiffany, também do vôlei, que será um dos temas da coluna na próxima semana.

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