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Da imprensa, da elite, do político brasileiro
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Chico Araujo é cearense, licenciado em Letras, professor de Língua Portuguesa e de Literatura brasileira. É autor dos livros

Da imprensa, da elite, do político brasileiro

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Tipo Crônica

Os canais de comunicação abrigados no extenso guarda-chuva que se pode chamar de “tradicional imprensa brasileira”, em geral ajuntada por jornais, revistas, rádios, tvs de larga presença no mundo das notícias e reportagens, vão precisar demonstrar seu apreço ao país, indo além de veicular propagandas semelhantes àquelas nas quais consta a cantiga "EEEEEuuuu, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amooooor"; o cotidiano da população não se faz em campo de futebol.

É difícil acreditar que toda a imprensa nacional (reduzo: quase toda ela) esteja a favor de que nosso país possa ter sua soberania posta em xeque por um megaempresário, estrangeiro trilionário (segundo ela mesma informa), obstinadamente interessado em minerais básicos ao desenvolvimento de sua indústria e, portanto, de sua riqueza, conforme se comprova desde seus contatos feitos com o governo anterior ao atual.

Mas como assim? Por que implementar o desgaste da Suprema Corte brasileira e investir em proteção daquele cujo interesse maior em relação ao Brasil está pertinente à ampliação de sua fortuna a partir da extração de matéria-prima existente no país? Quando emerge a pergunta “Qual o interesse da imprensa em enaltecer e festejar o ricaço ao mesmo tempo em que investe em pôr em dúvida a lisura das ações da Corte?” só uma resposta chega: PODER. Mas que poder será esse?

O poder que faz existir, desenvolver-se e se manter bem estruturado um pequeno grupo de pessoas reconhecido popularmente pelo codinome ELITE. Um grupo acostumado a manter sob suas vontades, historicamente e por herança, o outro grupo, este bem maior, reconhecido como POPULAÇÃO. A ELITE não gosta nem um pouco de ser contrariada. Na cabeça dela, tudo e todos lhe devem vassalagem.

Para ela, educação emancipadora, saúde plena, saneamento básico de qualidade, cultura de excelência, habitação adequada às famílias pobres, alimentação salutar aos mais necessitados, energia acessível a todos em todo lugar (Só exemplos. Há mais, muito mais.) não é algo a ser concedido amplamente, uma vez que a dependência do povo se faz pela necessidade dele. Quanto mais carente ele permanecer, melhor para ela.

Os trâmites para a realização de tudo quanto deseja a ELITE vão além da própria riqueza que tenha e que deseja sempre aumentar; então, é importante a ela que legislações lhe sejam benéficas e, para tanto, vale o apoio a políticos e pessoas aventureiras que aceitem a incumbência de manterem o status quo, iludidos, estes, de que possam ascender até onde se localizam seus patrões. Alguns até alcançam um lugarzinho ali, contanto que apresentem características toleráveis aos gostos da associação.

Na cabeça dela, as leis importam, mas principalmente devem ter validade aquelas a lhe beneficiar, proteger. Ora, se é ela que dá sustentação política e econômica ao país, por que deve aceitar ações de procuradores e juízes – individualmente ou em colegiado – que lhe atrapalhe os interesses (talvez negócios com estrangeiros), que desestabilize, de alguma forma, o lugar de onde ordena? O que se insurja de maneira não plenamente favorável e lhe dê a mais breve ideia de contrariedade deve ser retirado do caminho. A qualquer custo. Seja o que for. Seja quem for.

Para tanto, tudo vale, como exaltar o estrangeiro interesseiro e lançar dúvidas sobre a assertividade na postura do Supremo Tribunal Federal. Ajuda também eleger políticos desqualificados para os cargos pretendidos, contudo valiosos do ponto de vista de se tornarem parceiros com vontade e determinação de manter tudo dentro dos desejos dela.

No momento em que nos aproximamos de mais uma escolha de quem será nosso "representante" nas câmaras municipais e de quem terá a responsabilidade de executar ações favoráveis à melhor vida da população, a partir de decisões no lugar chamado prefeitura, é importante que assumamos a coragem necessária para não eleger, pela primeira vez ou novamente, quem já sabemos que nos enganará, quem buscará lograr período na política de representação nos adulando, usando discursos bem construídos a nos empolgar e nos levar ao convencimento, para, no instante pós eleições nos abandonar, nos ignorar, nos tratar como pessoas que, pelo voto, “assinamos embaixo” todas as ações e inações que façam.

Esses políticos não representam a população, não representam quem os elegeu, apenas estão a serviço deles mesmos, atuando para que não se altere nada da estrutura social, política e econômica existente no Brasil. Querem fazer parte do círculo e, de lá, manter a população sob suas botas.

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