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Trump e os labirintos da comoção popular
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Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (2009), mestre (2012) e doutor (2016) em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC. Apresentando interesse pela Sociologia Política e Ciência Política. Pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem-UFC), atua como palestrante e analista político, colaborando com movimentos sociais, associações e imprensa

Trump e os labirintos da comoção popular

A sociedade americana se encontra polarizada, ou seja, não se trata de ganhar ou perder apoios. O voto nos EUA é facultativo. A questão entre os republicanos é reduzir a abstenção, ou seja, criar uma onda que leve os simpatizantes de Donald Trump a votarem - principalmente os mais jovens
Tipo Análise
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Foto: GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Foto: GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

O atentado sofrido pelo ex-presidente - e agora candidato - Donald Trump se tornou manchete em todos os noticiários políticos. Sem entrar no discurso, por demais explorado nas redes sociais, sobre se o ato na Pensilvânia foi ou não uma encenação e estabelecer paralelos com eventos brasileiros, prefiro enveredar pelas consequências políticas da ação.

A simbologia, os discursos e as imagens, cuidadosamente explorados pelos aliados de Trump, revelam um modus operandi que deve ser compreendido: o ethos da comoção popular.

O choque provocado por atentados não é raro na história. Políticos feridos buscam construir uma imagem de herói que luta contra tudo. Uma força com cores messiânicas. No caso mais recente, os comparativos se apresentam imediatamente.

A sociedade americana se encontra polarizada, ou seja, não se trata de ganhar ou perder apoios. O voto nos EUA é facultativo. A questão entre os republicanos é reduzir a abstenção, ou seja, criar uma onda que leve os simpatizantes de Trump a votarem - principalmente os mais jovens.

Esse movimento faz diferença em estados pêndulos decisivos. Além disso, a campanha republicana procura mudar a lógica da disputa, começando pelo domínio da agenda política, inclusive do adversário. Mesmo os jornais mais críticos, tiveram que reduzir a artilharia. Uma espécie de trégua.
No caso de Trump, questionado pelos mais de 90 processos que responde na justiça americana, a mudança de rota causada pelo atentado, é mais do que benéfica.

Isso não significa que Trump já ganhou a eleição. O jogo ainda está em curso. O ato aumentou a pressão sobre a campanha democrata - que enfrentará o desafio de encontrar um opositor forte em plena campanha. De qualquer forma, o ódio e a violência são condenáveis em todas as esferas, países e disputas. São explosivos em democracias com forte polarização, principalmente quando são alimentados por uma retórica violenta no estilo Trump

 

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