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Foi mais de uma década de trabalho intenso, de incansável pesquisa, inúmeras entrevistas, e chega finalmente às telas, às luzes, o filme de Nirton Venâncio, o documentário "Pessoal do Ceará - Lado A Lado B". A história de Nirton para fazer esse filme é por si só um roteiro dentro de outro. Suas descobertas, seu espanto, encantamento e realidade. Tudo começou com uma entrevista com Rodger Rogério e Téti, em Jericoacoara. O projeto inicial era de um filme, que hoje se expandiu para uma trilogia, a ser continuada com os documentários "Massafeira - Lado A Lado B" e "Música Cearense Todos
os Lados".
Olhos de poeta do verdadeiro memorialista que é o Nirton, no seu desejo de guardar, lembrar, relembrar, reconhecer. Na primeira exibição pública, o documentário "Pessoal do Ceará" poderá ser visto neste domingo, 1º, no Cineteatro São Luiz, às 18h, com entrada gratuita dentro do FESTin-Ceará - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (a programação do evento acontece de até 8 de dezembro, também em Quixadá e Redenção).
Em 90 minutos, Nirton conta a trajetória de uma época (de altíssima voltagem criativa e lirismo, fervilhante de talentos) que reservou à música cearense um lugar importante na história da MPB na gloriosa década de 1970. O enredo por suas personagens - os mais famosos (Fagner, Belchior, Ednardo, Rodger Rogério, Téti, Fausto Nilo) e pelos artistas da maior importância, mas que nem sempre são nomes citados, como Cirino e Pekin, por exemplo.
É nossa vez, porque felizmente, proliferam documentários musicais - com um festival dedicado exclusivamente a essas obras, o InEdit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical (em São Paulo com itinerância por várias cidades do país), e com filmes chegando a um circuito maior de exibição, como "Nada Será Como Antes - A Música do Clube da Esquina" (dirigido por Ana Rieper ) "Lupicínio Rodrigues - Confissões de um Sofredor", de Alfredo Manevy, "Chic Show" e "Black Rio! Black Power!", de Emílio Domingos. Que o filme de Nirton Venâncio espalhe a canção cearense pelo mundo!
Falando de literatura na mesa do bar
"Ei, o que será que vai acontecer aqui? Vimos no Instagram e resolvemos chegar para ver", pergunta timidamente uma espectadora, que acabou de descobrir o Clube das Musas, aberto a todo o povo que se interessa por literatura escrita por mulheres, notadamente as cearenses - mas não somente elas. Há quase um ano poetas, romancistas, ensaístas, professoras, cronistas e performers se encontram no Cantinho do Frango, de microfone em punho, em forma de roda de conversa, e o inusitado toma conta do lugar, que comumente recebe grupos de amigos e amigas em torno de animadas conversas, comida, bebida e shows de música cearense.
Já passaram por essas noites, inauguradas com a poesia erótica de Nadia Camuça, Vitória Andrade e Beatriz Caldas, a performática Meire Viana (que pesquisa a obra poética de Jim Morrison), assim como Tércia Montenegro, Sarah Diva, Angela Vasconcelos, Claudene Aragão, Suiene Honorato, Karla Karenina, Ana Márcia Diógenes, Alana Alencar, Angela Vasconcelos, Carla Castro, Clarisse Ilgenfritz, Marta Pinheiro, Ruth de Paula Gonçalves, Sarah Diva, Sarah Forte, Simone Pessoa e Suene Honorato. No final de cada encontro também acontecem sessões de autógrafos, e a cada semestre, um sarau reunindo todas as escritoras. Faço parte desse projeto com muita alegria, a convite da produtora e DJ Maira Sales e Amanda Fonseca, empresária.
No próximo dia 5 de dezembro, o Clube recebe Martine Kunz e Glória Diógenes, que lançaram seus livros recentemente - "O Cão", de contos; e "Fio que não parte: contigo vivi Paulo Diógenes", respectivamente. E a poesia de Aíla Sampaio (autora de "A Carne do Tempo").
Lá no meu pé de serra
"Tem uma música sobre isso" é o primeiro álbum de Letícia Muniz, atriz, compositora, musicista e arte-educadora que pesquisa as relações entre música e cena. Criada na Serra da Ibiapaba, artista do circuito Sobral, de onde vem uma sonoridade poética e experimental eloquentes (leia-se Procurando Kalu e Moon Kenzo), antes do álbum, ela se juntou à Jessica Cisne (do coletivo CantaMina), a Gegê Teófilo e Thamires Coimbra no projeto "Um corpo cheio de som: canções que navegam nas águas do tempo", com base em suas criações e passagem pelo Lab Música da Porto Iracema, com tutoria de Juliana Linhares.
O passo seguinte foi o lançamento das sete faixas do álbum - todas compostas por ela, exceto "França e Mar", parceria com Thamila Santos, e "Som de Mulher", parceria com Moon Kenzo. Ela canta suas vivências e deslocamentos, em uma proposta que considera minimalista, com vozes, beats, guitarra e flauta (seu instrumento). Com participações de Alice David, Moon Kenzo, Zeca Kalu, Késia Carvalho, CantaMina, Malika, ATROCIDADES e Susannah Quetzal. Gegê e Jéssica assinam a produção.
Para ouvir Letícia Muniz:
https://open.spotify.com/intl-pt/artist/0KAiApq1NHT9hrjOOsaVXg
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