
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
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A condenação de três homens, pela Justiça da Espanha, por insultos racistas contra o jogador brasileiro Vinícius Jr, é um feito inédito na Espanha. É também um marco na história do futebol e na luta contra o racismo, tornando Vini Jr. um símbolo desse combate, pela sua disposição e coragem, no início solitária, em enfrentar uma estrutura durante muito tempo inexpugnável. A história mostra que, muitas vezes, uma atitude individual de indignação frente a uma injustiça torna-se um exemplo que arrasta multidões. O atleta brasileiro conseguiu essa mobilização.
As ofensas racistas partiram de torcedores do Valencia, em uma partida contra o Real Madrid (time de Vini Jr.) em maio do ano passado. O jogador brasileiro enfrentou os racistas, identificou um deles no local, e a partida ficou paralisada por oito minutos. Ele não deu atenção aos que pediam para que ele não se importasse com os gritos chamando-o de "macaco" ou com os gestos imitando o animal. Sua atitude provocou um debate mundial sobre o assunto.
Na época, as análises quase consensuais eram que os torcedores dificilmente seriam punidos, pois a lei espanhola que trata do assunto é bastante genérica, sem um único caso anterior de condenação por questões raciais. Entretanto, a atitude firme do atacante levou à condenação dos três torcedores a oito meses de prisão e pagamento das custas processuais.
O mais provável é que os agressores cumpram a pena em liberdade, pois são réus primários. Mas o recado foi dado. Outros racistas já estão sabendo para onde os insultos contra pessoas pretas — comum nos estádios espanhóis — podem levá-los. Os três condenados também ficaram proibidos de entrar em estádios da Espanha por dois anos.
Depois da condenação, Vini Jr. demonstrou que vai continuar a sua luta com mais disposição ainda. O que ele escreveu em suas redes sociais não foi um simples "post' inócuo e formal, foi um manifesto, um programa de combate ao preconceito.
"Muitos pediram para que eu ignorasse, outros tantos disseram que minha luta era em vão e que eu deveria apenas 'jogar futebol'. Mas, como sempre disse, não sou vítima de racismo. Eu sou algoz de racistas. Essa primeira condenação penal da história da Espanha não é por mim. É por todos os pretos. Que os outros racistas tenham medo, vergonha e se escondam nas sombras. Caso contrário, estarei aqui para cobrar", e completou, deixando explícitas as suas intenções: "Vem mais por aí".
No clássico livro "O Negro no futebol brasileiro", Mario Filho, traça uma linha histórica da atuação desses atleta, desde a introdução do jogo no Brasil, no final do século XIX, então um esporte de elite, passando pela criação de clubes, onde jogadores pretos não eram admitidos, até o surgimento de ídolos negros, mas sempre sofrendo preconceitos. Se vivo fosse, Mario Filho teria de atualizar o livro, com um capítulo especial dedicado a Vini Jr. n
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