
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
O que O POVO pensa sobre os principais assuntos da agenda pública
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a Selic em 10,5%, interrompeu uma sequência de sete cortes, iniciada em agosto do ano passado. Apesar da previsão de alguns analistas de que haveria um novo "racha" entre os diretores indicados por Lula e os nomeados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, a decisão foi unânime.
Na reunião anterior, houve divisão entre os indicados de Lula e os designados por Bolsonaro. Os primeiros defendiam queda de 0,5 ponto percentual e os segundos de 0,25 na taxa Selic. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, usou seu voto de minerva para desempatar pela menor queda.
As explicações para não reduzir a taxa de juros, na reunião de quarta-feira foram a alta do dólar, o aumento das incertezas econômicas e uma tendência de alta da inflação. "A política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas", segundo o comunicado do Copm, indicando que a taxa deverá ser mantida em 10,5% nas próximas reuniões.
O resultado unânime da votação pôs em xeque a teoria de que os diretores indicados por Lula ao Banco Central agem de acordo com as ordens emanadas do Palácio do Planalto. Agora ficou mais difícil considerá-las apenas pelo ponto de vista "ideológico", como se esses diretores desprezassem os critérios técnicos no exercício de suas atividades.
Mesmo com a pressão de Lula sobre o Copom, o voto do diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, foi a favor da manutenção da taxa básica de juros. E o nome dele está em primeiro lugar na lista de possíveis indicados para substituir o atual presidente do BC, a partir de 2025.
A reunião de quarta-feira foi precedida de momentos bastante tensos, com Lula criticando duramente Campos Neto em favor da redução da taxa básica. Ele questiona a independência do presidente do BC em relação ao mercado, e ao próprio Bolsonaro, que o nomeou. Para Lula, juros mais baixos são fundamentais para baratear o crédito, aumentar o consumo, a produção industrial e os empregos.
É preciso reconhecer que Campos Neto tem atitudes questionáveis, como reunir-se com o governador de São Paulo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), dedicando-se a conversas políticas. Não é razoável que mantenha encontros com banqueiros e representantes do mercado financeiro, desprezando outros segmentos da sociedade, que não têm facilidade de acesso a ele.
Se Lula pode ser criticado pela possível repercussão negativa de suas declarações, ele tem a justificativa de ser um político, agindo como tal. Campos Netos, por sua vez, tem um comportamento que se choca com a postura discreta e técnica, que deveria ser o padrão de uma autoridade monetária. De qualquer modo, não é demais pedir serenidade aos dois presidentes. n
Ôpa! Tenho mais informações pra você. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.