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Transição energética precisa ser justa
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Editorial opinião

Transição energética precisa ser justa

Reportagem publicada na edição de ontem deste jornal traz um amplo painel do cenário em que se encontra a transição energética no Brasil. O texto, assinado pela jornalista Catalina Leite, faz parte de uma série publicada na plataforma OP . O próximo episódio tem como título "O Nordeste que é um hub latino-americano na transição energética". Lembrando que o Ceará é um dos protagonistas na mudança da matriz energética para fontes mais limpas.

Esta primeira reportagem levanta as dificuldades encontradas na transição. O custo é uma delas, pois o processo exige grande volume de recursos. É também de se registrar a distância entre os discursos sobre a necessidade da transição, e o nível insuficiente de investimentos nas energias limpas, comparados com os subsídios para a produção de combustíveis fósseis.

Cássio Carvalho, assessor político do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) disse à reportagem que falta transparência sobre os incentivos fiscais para as matrizes energéticas. Segundo ele, entre 2018 e 2022 (com quatro anos dentro do governo Jair Bolsonaro), os combustíveis fósseis brasileiros receberam cinco vezes mais subsídios do que a transição energética. Esses números deveriam ser compilados pelo poder público, disse o assessor do Inesc, mas os pesquisadores precisaram recorrer à Lei de Acesso à informação (LAI) para obter os dados e fazer as estimativas. No plano plurianual (PPA), no mandato de presidente Lula, foram destinados R$ 500 bilhões para os combustíveis fósseis e apenas R$ 937 milhões para a transição energética.

Outro aspecto abordado pela reportagem é a quase impossibilidade de obter energia completamente "limpa", pois mesmo as fontes assim consideradas, necessitam de energia fóssil para funcionar. É o caso da eólica, cujas pás demandam o uso de combustível fóssil na sua fabricação. Além disso, causam impactos ambientais onde os aerogeradores são implantados. As "fazendas" de energias solar, por sua vez, exigem desmatamento de grandes áreas para a sua instalação.

Entretanto, existe consenso científico de que essas matrizes energéticas são eficientes para reduzir significativamente a emissão de gases produzidos pela queima de combustíveis fósseis, como o dióxido de carbono (CO2), que resultam no aquecimento global, cujas consequências catastróficas se abatem sobre o planeta.

Essas questões expõem o desafio de uma transição justa, reduzindo os impactos socioambientais, e com a participação das comunidades envolvidas, No mês de maio, O POVO publicou ampla reportagem, assinada pelo jornalista Cláudio Ribeiro, mostrando o impasse entre empresas e comunidades litorâneas, que se sentiram prejudicadas com instalação de eólicas "offshore", isto é dentro do mar, Existem dezenas, talvez centenas de exemplos semelhantes, sendo necessário pontuar que a transição energética não pode ser feita de forma injusta, prejudicando os mais vulneráveis. n

 

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